segunda-feira, dezembro 02, 2013

Quimera de dezembro


Um delírio de fim de noite em forma de samba-canção,

a saudade sim é uma arma quente

 um tiro na penumbra,

uma manhã de rock’n’roll baixinho no meu colchão.

Pra cada amor que se perde mais silêncio,

fui eu que parti,

mas quem quebrou nosso espelho foi você.

Das alturas se vê até o que não se quer,

desse lado do planeta a solidão engarrafada sem mar pra levar,

coisas não ditas em versos malditos de adeus.

E pra cada dia que não te vejo faço um risco nas minhas coxas,

testemunhas coagidas de suas mãos,

hoje eu sei que nunca mais vou sentir seus verbos insolentes na minha orelha fria,

sei que os traços do seu rosto nunca pedem perdão.

Quimera de dezembro que não engana mais ninguém,

é medo da verdade,

é sonho sem respiração.

 

sábado, novembro 30, 2013

Run, Lorena, run...

Ensaios soturnos em demasia.
Estaria a vida clamando pela nossa morte o tempo todo?
Estaríamos, nós, meros mortais distraídos demais com o ritmo mórbido da labuta? Escravos de um ego que separou nossos dedos e derreteu nossa aliança?
Estaríamos mais próximos do abismo, e abraçados com essas paranóias filosóficas do que com a brisa leve do amor?
Ela se perguntava como seria a vida em outro lugar. Em vão e num ato ridículo de pena de si mesma. Como se nada bastasse para os seus olhos grandes.
“Ela não passava de uma tola covarde!” – eu disse para Vicentti quando ela comprou a passagem para a cidadezinha que sempre odiou. Disse que era pra ver a mãe. Na verdade, aposto que ela queria mesmo era encontrar aquele velho nojento dum olho só que a criou tão lunática como ele.
As mulheres quando amadas se tornam corrompidas. Perdem a capacidade de amar e um jeito mulher de ser fica sovina de afetos.
Lorena me deixou no dia de meu aniversário. Mesmo antes da nossa solidão á dois, eu já sentia que ela não me amava como antes... Antes, quando fui invenção romântica daquela tresloucada arrogante, neurótica insaciável! Pecaminosa ébria de poucas elocuções.
Ela me deixou, deixou-se aqui, catatônica no meio da sala... Lorena voltando pra sua terra natal. Lorena abandonando um si que ela tanto lutou para ser.
Nunca vi deixar a melhor versão de si e pegar a estrada como avantesma para os braços fétidos e transgressores do passado.
“Lorena sabe se reinventar.”- me disse Vicentti na noite em que ela partiu com um sorriso maldoso no rosto, engolindo o uísque que eu comprei e olhando minha cama desarrumada, ainda com o formato do corpo dela. Por que todo cara que nos dizem melhor amigo deseja transar com sua mulher na sua cama?
Lorena só sabe mesmo é inventar e destruir tudo aquilo se mostra amável e ao seu domínio. (Era daquelas meninas que brincavam de fazer velório com as bonecas e depois de tanto rir acabava aos prantos).
Tem alma de bacante e mente de astronauta.
Quando me casei com ela a luz da igreja acabou (e igreja não tem gerador), muitas velas foram acesas e eu via a chama refletida nos olhos dela... Apenas chama de vela acesa, eu vi amor.
Nosso casamento foi como um sonho daqueles abstratos, tão abstratos que dá vontade de acordar e deixar pra sonhar outra noite.
Nosso casamento durou exatos três meses, e eu seria muito infido se não assumisse que foram os melhores três meses da minha vida.
Conheci o inferno particular de uma mulher única, também chorei no paraíso grotesco dos seus olhos.
Agora Lorena se foi, nem quero saber se voltará algum dia, não quero o dinheiro que ela me deve, não quero as tranças do cavalo que ela me roubou, não quero também suas pernas perfeitas de volta ao meu portão.
Quero de volta a minha paz que ela levou no meio da bolsinha de comprimidos controlados, quero não chorar ao ouvir seu nome na televisão, quero esquecer as bolinhas de sua calcinha preferida, quero dormir sem procurar seus braços na cama. Quero não me lembrar que se ela partiu é porque algo de mim partiu de dentro dela antes... Algo que eu destruí com minhas próprias mãos.
Sei que Lorena não quer olhar pra trás ou pra frente, quer apenas fechar seus olhos em terras distantes. Quer ser flor, logo ela que sempre foi pedra. Quer tornar sol as tardes que ela fez chover. E quer mais uma vez trucidar o amor que é da cor de suas asas machucadas.
Então, eu sonho e vejo Lorena sangrando, correndo entre árvores vívidas, eu que talvez nunca tenha a amado. Apenas amava o amor que ela tinha por mim e adorava desfilar com uma mulher linda e de olhos tão insanamente belos pela cidade, pelos bares.
Lorena partiu, deve estar lá com suas mistificações, com seus olhos enigmáticos tristes, com suas belas pernas cruzadas, dessa vez não pra vida, mas, para aquele passado que ela nunca vai esquecer. E Vicentti tinha razão era mulher demais pra mim, eu acabaria estragando tudo. E estraguei.


 

 

segunda-feira, novembro 18, 2013

Nunca mais.

Desilusões levam a gente pra bem longe ás vezes... Até um pássaro que ama uma árvore se vai quando sente que está em perigo. Mas, não, eu não tenho medo do perigo, não foi isso que me fez partir. O que me levou embora foi um coração partido, a incerteza do futuro que deveria ser certo já que se tratava do mais puro amor. No entanto, amor tem que ser verso de dois...
Desilusões nos arranham a face triste, enfiam farpas por debaixo das nossas unhas e justificam nossas inúteis lágrimas solitárias no escuro de uma cidade que não é a nossa.
Agora é o vento que indica o caminho, é o sonho de não ter mais sonhos que movem as pernas cansadas. É o sorriso adiado que se faz meta, é a paz esquecida que é procurada em novas esquinas. É aquele gosto amargo da desilusão que não sai da boca nem com o mais doce chocolate...

quarta-feira, junho 12, 2013

A saga de Iara


Quando Iara resolveu que tudo estava perdido ainda tinha muitos anos pela frente...

Abraçou-o de leve enquanto ele fingia cochilar e disse:

- Odeio quando você dorme.

- Odeio quando veste a roupa. – proferiu ele.

Muitos fatos sobre nós mesmos mudam, alguns agradecemos que sejam assim, outros não aceitamos.

No fundo ela sabia que sexo era mais cabeça que corpo e chorava baixinho não se reconhecendo mais.

Lembrou mais uma vez do estrangeiro elegante e louco que lhe rendeu umas boas lágrimas indesejáveis enquanto engolia cerveja quente. Ou quando alguma canção lhe arranhava a força bruta e forjada ao esbravejar que havia esquecido... Que já tinha vivido todo o luto daquele impasse. Mas, Iara sabia que aquela dor não era por acaso, que toda aquela alegria vivida e desfalecida deixou sim um antro dentro dela.

Toda mulher sabe o que não quer, mas nem todas administram a rejeição e o medo da mesma forma. As mulheres são mais fortes emocionalmente que os homens. Um cigarro, um café, uma canção e alguma satisfação se faz presente, assim, de repente.

O maior medo de Iara não era o da solidão e sim o de ficar anestesiada para sempre. De nadar e nadar e nadar e morrer na praia. Precisava de emoção como um junkie precisa da sua droga de escolha.

Certa tarde decidiu que precisava sangrar de vez sua atual verdade que ela não merecia carregar, desnecessário problema novo que ela sempre vai jurar que passou... E, vai ver passou mesmo, só não perdeu o jeito das consequências que todo caso mal resolvido deixa.

Ela se fez de tonta e seguiu conselhos de pessoas que não entendem nada do que é viver, ou se entendem eram bem mais controladas do que Iara. Conceito turvo esse de controle, pois já viu essas mesmas pessoas em descontroles bem maiores do que supunham que Iara tinha.

Iara perdeu todos os seus fiéis escudeiros numa batalha só, mas, a gente toda sabe que ela não desistiu (é boa de fingir de morta quando quer).

Mas, voltando ao caso sexual frustrado por um discurso pronto, Iara não percebe que foi outra forma de se valorizar, embora, seja a mais chata em sua opinião. Cômico como cada um reage diferente á realidade. No entanto, ninguém sorriu...

Enfim, entendeu a expressão que ele usou: “já estou vacinado”.

Nem se importou muito em ter sido, talvez, uma “farsante” sexual, pois ele foi um canalha ao praticamente ignorar uma garota apaixonada.

Tomou vários porres e não o esqueceu de fato.

Fechava os olhos, imaginava e consegui a sentir o perfume dele.

E é praticamente uma pessoa que não existe mais, como quando a gente passa sempre por uma avenida e num dia qualquer resolvem remover os prédios, enfim, não gostava de prolongar esses pensamentos, tampouco o assunto.

O fato que estava sempre com ela, mesmo dizendo que não, mesmo maldizendo de vez em quando; em certas canções que eram dolorosas acorde por acorde. Sempre existe em nós o “inexistente”.

Pensamentos e dúvidas de Iara não têm reta final, representados por um desenho ou símbolo teria exposta uma reticências, embora, ela quisesse mesmo um ponto final, e quem sabe quando a tristeza passar, ter a sorte rara de uma exclamação.

Porém, dessa tarde não caiu uma gota sequer de sangue de Iara, só a escuridão em versos bons que veio pra tentar acalmar. Ela não tinha mais tempo para sangrar.

“Seria mesmo tão horrível assim pra conduta de alguém querer de um homem, por alguns instantes, apenas que ele nos faça gozar?

Quanto pudor idiota se vê por aí...” – concluiu Iara.

Só quem já viu que sabe o desespero de ver suas aflições expostas em forma de sangue descendo ao acordar (coisa de mulher).

Era um paradigma de contradições seu olhar perdido e por vezes ausente.

Se olhava no espelho e pensava: “Perdi todo o meu glamour e o brilho dos olhos, mas, estou viva e tenho que fazer algo com isso.”.

Mulheres inteligentes e noites de lua cheia nunca perdem o glamour, Iara não sabia, e até mesmo julga a lua cheia como a lua dos desencontros. Tinha todo um misticismo próprio e medo de coisas que ninguém entendia. Uma criança louca com cantigas sinistras na ponta da língua.

“Eu não sei para onde estou indo, nem por que ir. A sensação é de medo misturada com frustração. Coisa pensada e idiota. Até quando?

Se Deus está reparando nos mínimos e máximos erros, e, dessa forma, regulando a alegria surpresa, os bons acontecimentos. Ele está sendo justo ainda. Caralho! Medo de continuar assim e medo de não conseguir mudar.

Minhas palavras são falhas, assim como as minhas supostas escolhas.

Falta de força de aguentar a rotina morna. Contradições eternas de um diário de folhas repetidas...”.

Tinha um relacionamento meio conturbado com Deus: não acreditava muito nele, nem Ele nela. Nem todo dia é dia de festa meu camarada.

quarta-feira, janeiro 09, 2013

poema de merda para uma situação de merda

Era luz de lanterna de pilha fraca,

era meu sorriso se aproximando do seu ,

era espera de filme,

e só trailler no fim.

Agora é cinza nos olhos,

passagens e desvios,

um caos de saudade sem aviso,

um aviso de caos no seu desvio.

Seu terremoto não é o mesmo que o meu,

só que a terra resolveu dormir porque eu pedi por ti,

mas nossas mãos se soltaram e seu silêncio inquieto a acordou.

Sempre seu silêncio que agride,

sua ausência mal explicada que nem notas o estrago que faz,

o desassossego que faz engolir a quem fez a terra adormecer por ti.