quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Cinco coisas que quero fazer antes de morrer?
01) Publicar um livro de crônicas e poesias.Só meu!
02) Fazer com que todos que amo sintam esse amor.
03) Morar em Minas Gerais.
04) Faculdade de cinema.
05) Me casar.

Cinco coisas que eu faço bem?
01)Cozinhar.
02) Massagem.
03) Indicar livros.
04)Amar .
05) ... rs

Cinco coisas que eu mais digo?
01) “Claro, e eu que tenho que agüentar”.
02) “Gatinhooooooooooooo”, quando vejo felinos pela rua.
03) "Bye bye baby."
04) "Ama? Ama uma porra que ama.”
05) “Vá se fuder”, “Vá para o meio, para o centro, para o núcleo do inferno”, frase que peguei do mestre Frank.

Cinco coisas que eu não faço ou não goste de fazer?
01) Aturar gente idiota.
02) Mentir.
03) Dizer coisas que não estou sentindo.
04) Ouvir música ruim.
05) Ser vulnerável quando se trata de amor.

Cinco coisas que me encantam?
01) Estar perto do meu tio Marcos.
02) Olhares grandes, cheio de vida e sinceridade.
03) Encontros inesperados que valem uma vida.
04) Andar por Minas Gerais.
05) Estar com meus amigos.

Cinco coisas que eu odeio?
01) Falta de caráter e de sinceridade.
02) Adolescentes declarados.
03) Gente fresca e histérica.
04) Subliteratura barata.
05) Ingratidão.

Cinco pessoas para responder isto?
01) Vini.
02) Talita.
03) Jô.
04) Rara.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

" Nossas vidas nao são tão diferentes embora a gente goste de achar que são. A dor é estranha. Um gato matando um passarinho, um acidente de carro, um incendio... A dor chega, BANG, e aí esta ela, instalada em voce. É real. Aos olhos dos outros, parece que voce esta de bobeira. Um IDIOTA de repente. Não há cura para dor, a menos que voce conheça alguem capaz de enteder seus sentimentos e saiba como ajudar."

-Charles Bukowski-

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

eu atiro! eu atiro!

Umas moedas por alguma emoção forte.
Uma pausa pro rosto que souber ficar.
Dançar a noite toda com um sorriso que me leve pra casa, mesmo que eu não peça.
Eu não estou indo embora assim sem motivos só porque eu não sei ficar, é porque eu já não vejo sentido em amassar suas cadeiras e acender as luzes.
Eu deveria comprar os jornais e ver a página de empregos, seria bom para todos.
Eu deveria parar de beber vodca de nove reais o copo.
Eu não deveria passar tanto tempo mostrando coisas que ele não quer ver.Palavras, divagações desnecessárias para um esportista.

Porque minha calcinha é bem mais interessante, ainda que tenha sido distração sua parição.
(Nem tão distraída, ok... Mas era só diversão duma garota triste.)

Foda-se o dilema do passar do tempo, das datas e dos nomes...
Foda-se boa parte dessa história, desse enredo sem perdão!
(Oh não! Era ressentimento...)

Bálsamo dos almodovares corações!
O Xico Sá vai pro inferno, ainda bem...Porque eu também vou.


Algumas moedas por uma noite com um pouco mais de cor.
Algumas moedas para engravidar de um olhar!



Passe essa arma pra cá!
O próximo tiro é meu.
Só meu...





Pó.

quarta-feira, dezembro 27, 2006

meu coração não quer deixar meu corpo descansar...

Uma Canção Desnaturada


Por que creceste, curuminha

Assim depressa, e estabanada
Saíste maquilada
Dentro do meu vestido
Se fosse permitido
Eu revertia o tempo
Pra reviver a tempo
De poder
Te ver as pernas bambas, curuminha
Batendo com a moleira
Te emporcalhando inteira
E eu te negar meu colo
Recuperar as noites, curuminha
Que atravessei em claro
Ignorar teu choro
E cuidar só de mim
Deixar-te arder em febre, curuminha
Cinquenta graus, tossir, bater o queixo
Vestir-te com desleixo
Tratar uma ama-seca
Quebrar tua boneca, curuminha
Raspar os teus cabelos
E ir te exibindo pelos
Botequins
Tornar azeite o leite
Do peito que mirraste
No chão que engatinhaste, salpicar
Mil cacos de vidro
Pelo cordão perdido
Te recolher pra sempre
À escuridão do ventre, curuminha
De onde não deverias
Nunca ter saído

(Chico Buarque)

quarta-feira, dezembro 06, 2006

repetição insignificante


" Entre as verdes folhas do avarandado
entre as velhas telhas do elho sobrado
entre as luzes dos faróis nas duas mãost
odo canto em que estou você está
Pelos campos entre a relva e a liberdade
entre as torres de concreto na cidade
na incerteza do universo em que estou
todo canto em que estou você está
O seu vulto me persegue
pelas noites mal dormidas
O primeiro pensamento da manhã
é você
As olheiras tão marcadas
minha voz rouca e cansada
O primeiro sentimento do amanhã
tem que ser você
O primeiro pensamento da manhã
O primeiro sentimento do amanhã "
(Zé Geraldo)

segunda-feira, novembro 20, 2006

doida doida doida!


Quando em teu colo deitei a cabeça, meu camarada, a confissão que fiz eu reafirmo,o que eu te disse e a céu aberto eu reafirmo: sei bem que sou inquieto e deixo os outros também assim, eu sei que minhas palavras são armas carregadas de perigo e de morte, pois eu enfrento a paz e a segurança e as leis mais enraizadas para as desenraizar, e por me haverem todos rejeitado mais resoluto soudo que jamais poderia chegar a ser se todos me aceitassem,eu não respeito e nunca respeitei experiência, conveniência, nem maiorias, nem o ridículo, e a ameaça do que chamam de inferno para mim nada é, ou muito pouco, meu camarada querido: eu confesso que o incitei a ir em frente comigo e que ainda o incito sem a mínima idéia de qual venha a ser o nosso destino ou se vamos sair vitoriosos ou totalmente sufocados e vencidos.
Walt Whitman (1819-1892)

sábado, novembro 11, 2006



Para a menina mais rara que cruzou meu caminho.






"Pela marca que nos deixa
A ausência de sol que emana das estrelas
Pela falta que nos faz
A nossa própria luz a nos orientar
Doido corpo que se move
É a solidão nos bares que a gente frequenta
Pela mágica do dia
Que independeria da gente pensar
Não me fale do seu medo
Eu conheço inteira sua fantasia
E é como se fosse pouca
E a tua alegria não fosse bastar
Quando eu não estiver por perto
Canta aquela música que a gente ria
É tudo que eu cantaria
E quando eu for embora, você cantará"

(Oswaldo Montenegro, Estrelas)

segunda-feira, outubro 23, 2006

e chega!

"Já passou, já passou
Se você quer saber
Eu já sarei, já curou
Me pegou de mal jeito
Mas não foi nada, estancou
Já passou, já passou
Se isso lhe dá prazer
Me machuquei, sim, supurou
Mas afaguei meu peito
E aliviou
Já falei, já passou
Faz-me rirHa ha ha
Você saracoteando
Daqui prá acolá
Na Barra, na farra
No forró forrado
Na Praça Mauá, sei lá
No Jardim de Alah
num clube de samba
Faz-me rir, faz-me engasgar
Me deixa catatônico
Com a perna bamba
Mas já passou, já passou
Recolha o seu sorriso
Meu amor, sua flor
Nem gaste o seu perfume
Por favor
Que esse filme
Já passou"

(Chico Buarque_Já passou)








E vê se me deixa em paz ...

terça-feira, outubro 03, 2006

Melodrama II

Eu já quis você assim pintando sorrisos em tudo que soa melancólico ou que envolva o silencio de quem já vai em mim.
Hoje meu amor eu já não quero mais você ou sua voz, eu não quero essa vontade de matar e de morrer quando você me olha e finge não ver tudo que eu sou.
Eu rondo tudo que temo e sempre caio; confessional, perdida no seu olhar.
Porque a minha saudade masturba sua ausência sem fazê-la gozar.
Eu não sou o que querem que eu seja e o que ando sendo não se parece com o que eu sou.
Eu acordo e procuro, procuro as verdades e as bobagens que nos unia, vejo meus olhos nos espelhos e me lembro o quanto somos iguais, e dói!
Depois de doer eu limpo o sangue e ah! os deuses sabem o quanto eu tentei te apagar daqui, tirar suas frases cravadas em meu peito, engolir essa fumaça; tragando todo o meu remorso.
Eu já quis você assim acreditando no que eu inventei, beijando a miséria das palavras que eu não falei, supondo meus passos; e não os cultuando como se só caminho a seguir fosse o que me resta agora.
Eu já quis sua mão embriagada, pousada na minha sanidade, eu já quis a cor das suas íris nas paredes do meu quarto.
Meu amor, eu já quis você como verso quer sangue, como domingo quer indiferença, quis como a solidão quis o outrora no jornal de hoje.
Não que não te queira mais, não que eu não te queira amar...
Não nos acredito mais, não bebo mais dos anseios e não cruzo minhas íris com as suas pra que não notes que tudo em mim grita seu nome e que a pancada que me destes nos olhos não os deixa fechar, nem sonhar.
Eu atiro no escuro e acerto em cheio qualquer bom agouro que ousava neste quarto entrar.
Existe sim aquela verdade que dizia mais alto tudo o que não queríamos ouvir, aquela que procurávamos ou não.
Eu sinto um peso maior sobre meus olhos, um tormento novo numa terra estrangeira, e ainda é tão difícil suprir com essa incerteza o que chamavas de boa intenção.
Por Amanda Cristina Carvalho numa noite de agosto qualquer de 2006.

Melodrama

Porque sobre meus olhos pesa essa resignação de te amar e desejar ver-te cada dia mais longe, cada dia mais meu; mesmo entre ruas longínquas; encostado em muros onde eu nunca escrevera meu nome, onde meus insetos nunca tentaram abrigo.
Por tanto tempo eu quis uma espécie de dádiva, de vento que dissesse alguma coisa doce, sempre sondando o medo que não foi meu; para tentar me manter aqui dentro do quarto, fazendo cortes e desenhando na minha alma que desonrada resolveu voltar pra mim.
É tão miserável essa condição de se comprimir num sorriso, de guardar o passado entre os dentes amarelos.
E essa nostalgia de borboleta, como de quem vive vinte e quatro horas e precisa abandonar as lembranças e dizer que era mesmo vida que escorria de seus olhos, quando não era.
Mas agora eu tenho uma nova miséria que aparece quando eu sinto o sangue descer a garganta, quando blasfemo da minha sorte e te vejo passar.
Por Amanda Cristina Carvalho em alguma noite de agosto de 2006.

sexta-feira, setembro 15, 2006

eu tive fora uns dias...


Por todas a esquinas saí um bicho grande e feio e corre atrás de mim, eu corro dele pra ele não ficar sem graça, mas não tenho medo.
Eu não tenho medo de nada.
“Agora me beija de verdade e ouve com atenção tudo que eu quis te dar...!”.
E tantas palavras me vêm a mente e eu só queria poder desenhar, por todas as minhas paredes, pra deixar marcado mais um dia em que você salvou minha vida sem que ninguém te dissesse do perigo, sem acreditar no perigo.
Você me anula o pensamento.
Mesmo que eu não entenda do que sinto e nunca vá entender.
Fica essa luz por entre os fios dos cabelos.
Eu tiro as folhas da minha roupa, caminho com calma e o bicho atravessa a rua: decepcionado.

quinta-feira, agosto 31, 2006

"Enquanto eu tiver a mim... e os meus vícios, acho que está tudo bem, enquanto não houver motivo, Deus deixa estar por aqui..... Apreciando um pouco mais, as imagens que se formam, nos cacos de vidro, pelo chão......... Enquanto eu tiver a mim... e um pouco deste vinho, não importará o destino dos seus pés..... eu cansei de seguir as mesmas pegadas, se elas nunca me levam pra onde eu quero ir................................................................... ............................................................................................................................................ e quer saber? sempre enxerguei coisas de mais... Dentro de você......... coisas que já não importa mais.....................................................mais..................................... enquanto eu tiver a mim e os meus vícios............................. eu não preciso de ninguém............................ eu não preciso de você...... eu não preciso............................................................ eu não preciso................................................"

terça-feira, agosto 29, 2006

lá lá lá...

" Porque eu me imaginava mais forte. Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões, é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil. É porque eu não quis o amor solene, sem compreender que a solenidade ritualiza a incompreensão e a transforma em oferenda. E é também porque sempre fui de brigar muito, meu modo é brigando. É porque sempre tento chegar pelo meu modo. É porque ainda não sei ceder. É porque no fundo eu queria amar o que eu amaria - e não o que é. É também porque eu me ofendo a toa. É porque talvez eu precise que me digam com brutalidade, pois sou muito teimosa. É porque sou muito possessiva e então me foi perguntado com alguma ironia se eu também queria o rato para mim.Talvez eu me ache delicada demais apenas porque não cometi os meus crimes. Só porque contive os meus crimes, eu me acho de amor inocente.Talvez eu tenha que chamar de "mundo"esse meu modo de ser um pouco de tudo. Eu, que sem nem ao menos ter me percorrido toda, já escolhi amar o meu contrário(...). Eu que jamais me habituarei a mim, estava querendo que o mundo não me escandalizasse. Porque eu, que de mim só consegui foi me submeter a mim mesma, pois sou tão mais inexorável do que eu, eu estava querendo me compensar de mim mesma com uma terra menos violenta que eu."(Clarice Lispector)

quarta-feira, agosto 16, 2006

oh!

"Eu te odeio", disse ela para um homem cujo crime único era o de não amá-la.
"Eu te odeio" disse muito apressada.
Mas não sabia sequer como fazia.

C. Lispector

domingo, agosto 13, 2006

Necessidade de auto-afirmação?

"(...)E vem você
Me olha através da cortina do tempo
Me pega sentado no palco da vida
Tão fraco e indefeso
Marcas desse nosso tempo
E vem você
Que faz do meu canto um canto de paz
E eu tão tapado coitado até penso
Que o meu Negro Blues
é folclore de Minas Gerais "


Como já dizia minha mãe: "Filha você é estranha, não se pode passar a vida assim; vendo ela passar, esperando sabe lá o quê...".
Ela não entende, eu não entendo.
É tão trivial esse assunto que eu o desprezo, odeio os clichês e as trivialidades.
Eu queria escrever sobre a Amanda Cristina Carvalho hoje, mas eu nunca sei em que discurso eu fico; direto ou indireto.Em qual sujeito me classifico, simples, composto ou oculto.
Hoje é dia dos pais.
Estou neutra aos meus sentimentos, e contendo meus pensamentos que são mais bizarros e surrealistas do que um filme de Buñuel.
Eu sinto que estou sempre alimentando os mesmos cães que me feriram.
Eu sinto, sei, penso.
Mas não saio daqui.
Eu sempre fico pra ver o final, mesmo que ele for eu nua e exposta em praça pública pra toda e qualquer chance de me camuflar na minha arrogância se perder, tão precisa quanto um tiro.
Eu só funciono assim, quando eu já disse e fiz tudo que podia e o que não podia.
Arredia e patética num limite de bomsensopseudoliterário.
Já percebi como as pessoas reagem a um murro, sem precisar sujar minhas mãos!
É pra falar de medo, a gente fala de medo, mas se é pra inspirar coragem, eu tiro os sapatos e piso nas pedras, me corto na lâmina da impressão.
Mas eu caio e passo meus anos no tapete verde do mundo que é só meu, observando a vida lá fora.
Eu estou me sentindo de outra espécie, eu já não peço explicação.
Arrebenta essa corda quem tiver coragem e vem aqui me dizer quem eu sou quando eu faço tudo e todos virar contradição.
Se eu incomodo é porque existo, é porque sou de verdade.
É real quando eu tropeço pelas ruas com as lágrimas nos olhos e os gritos deixados em algum outro olhar se tornam apenas ecos do que eu sentia.
É real mesmo que por engano, por doses de mágoas* a mais. É pra me ver morrer mesmo.Mas sem o peso do amor -em vias erradas- pra quando eu for ressucitar.



sábado, agosto 12, 2006

Dos três mal amados

O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato
O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço
O amor comeu meus cartões de visita,
o amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome
O amor comeu minhas roupas, meus lenços e minhas camisas,
O amor comeu metros e metros de gravatas
O amor comeu a medida de meus ternos,
o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus
O amor comeu minha altura, meu peso,
a cor de meus olhos e de meus cabelos
O amor comeu minha paz e minha guerra,
meu dia e minha noite,
meu inverno e meu verão
Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.

(Lirinha)

sexta-feira, agosto 11, 2006

torneira aberta.

"(...) Eu... A andorinha
contou que,
sozinha, canta, mas não faz verão.
Tem boi na linha.É o mesmo trem, a mesma estação.
Resumindo: -Até logo, eu vou indo.
Que é que estou fazendo aqui?
Quero outro jogo,
que este é fogo de engolir. "
(Belchior_Depois das seis)



-Dá pra ouvir daí?
Não, não, é mais embaixo.
Isso, bem aí.
Pega esse pedacinho do meu coração pra mim e manda ele parar de cantar Tom Waits.
Já não basta os outros que declamam Florbela Espanca bem ás cinco da manhã.
Estou tentando juntar todos e calar os risos das paredes do meu quarto que ironizam alegres as noites que passei longe.Vou reunir todos os pedaços e ter de volta meu coração.
"Toda caixa guarda alguma coisa, mesmo que o vazio, mesmo que o silêncio de um morto."
Ah!
Todos os clichês são válidos porque toda a poesia não bastou.
Como duas pessoas tão iguais podem se tornar tão distintas quando é preciso deixar tudo pra trás?

sábado, agosto 05, 2006

como antigamente...

Entre o autor e o público, posta-se o intermediário.
E o gosto do intermediário é bastante intermédio, medíocre.
Medianeiros médios pululam nos meios, onde, galopando, teu pensamento chega.
Um deles considera tudo sonolento:
"sou homem de outra têmpera! perdão", e repete um só refrão:
"O público não compreenderá".
Camponês, só viu um faz tempo, antes da guerra.
Operários, deu com dois, uma vez, numa ponte, vendo subir a água da enchente.
Mas diz que os conhece como a palma da mão.
Que sabe tudo o que querem!Aqui vai meu aparte: chega de chuchotar bobagens para os pobres. Também eles, podem compreender a arte.
Logo, que se eleve a cultura do povo! Uma só, para todos.
(Maiakovski)

quarta-feira, agosto 02, 2006

Frases soltas (ao seu gosto honey)

Tantas mentiras.
Tantas vontades.
Lembrança que corre com um pedaço de giz marcando a parede da minha sanidade.
Faz frio aqui, e eu gosto desse frio quando ele parece comer minhas entranhas de forma carinhosa e simpática.
É tão bom quando algo nos come de forma carinhosa e simpática, mesmo que seja somente o frio.
Precisamos ser comidos, é antropofagia sã que nos move na maioria das vezes.
Eu estou com medo.
Medo do meu medo não caber mais dentro de mim.Medo de não caber mais naquela cidade, medo de acordar sempre cedo, medo de não dormir mais, medo de ver que a culpa sempre foi minha e que eu estava mesmo correndo pro lado errado quando eu jurei que era mesmo pra lá que eu tinha que ir...
Eu não quero mais essas frases soltas via e-mail, eu não quero mais esse tormento na minha caixa de entrada, porque eu realmente o amo, e esse tempo e distância parece anacrônico ao que nos fazia ser apenas duas almas que se entendiam, pai e filha!
Odeio me sentir como um peixe pescado, já disse isso certa vez.
Preciso do outro lado da lua, não desse que é permitido ver.
Preciso do outro lado da rua, aquele em que te deixei e fui cortar minhas asas pra voarmos somente com as suas...
Mas as suas eram roubadas...
Eu odeio tanto ter que te odiar pra continuar amando ao que me resta.
“Ódio é que nem escrito, só envelhece”.
Eu não sei ser quem eu era pra te alegrar.
Eu não sei alegrar mais ninguém.
Eu queria fugir, mas nem lá no meu refúgio eu tenho mais paz.
Estão roubando o que eu tenho de melhor e guardando numa caixa de plástico (e tanto que eu odeio plástico!).
Não faz sentido o sentir que me sentia entrar seis e pouco da manhã no quarto quente: o sono que engolia a alma.
Ta aí, mas alguma coisa comida.Mais alguma coisa roubada.
A saudade já não me tem o mesmo efeito, acho que perdeu o lirismo com o tempo que me fez perder algumas outras coisas que não podiam ter sido perdidas.
Não quero mais ninguém por perto por hoje.
Eu precisava dessa paz que me levaram, eu precisava daquele dinheiro ao qual me privaram.
Não era nada disso que eu queria escrever.
Não era nada disso que eu queria sentir.
Não era de ti que eu queria lembrar.
Não era essa dor que eu queria celebrar.
Não era essa cidade que eu queria nomear.
Não era esse verme que eu queria pra comer meu cadáver ainda vivo.
Não era desse pássaro que eu queria retirar a asa pra te dar e te ver voar pra bem longe de mim.
Não era com esses olhos que eu queria te reencontrar.
Não, não era!
Juro por todos os fenecidos que não era...

terça-feira, agosto 01, 2006

depois das cinco...




"Da primeira vez..."
Mário Quintana

Da vez primeira em que me assassinaram
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha...
Depois, a cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha...

Hoje, dos meus cadáveres eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada...
Arde um toco de vela amarelada...
Como único bem que me ficou!

Vinde, corvos, chacais, ladrões da estrada!
Pois dessa mão avaramente adunca,
Não haverão de arrancar a luz sagrada!

Aves da Noite! Asas do Horror! Voejai!
Que a luz, trêmula e triste como um ai,
A luz de um morto não se apaga nunca!