terça-feira, dezembro 20, 2011

Aproximadamente probo



Espaços, reticências, canções pela tarde,
é como sentir sem mudar os traços da face,
sem chegar nem perto de uma síncope,
um pouco insone,
borboletas de morte,
de doença crônica,
postais sem nome.

Agora resta a estrada à frente
longínquo esquadro quebrado no meio,
gotas de perfume na roupa suja,
sapatos limpos,
sorriso amarelo.

Procura-se um corpo em qualquer temperatura,
um canto de boca alheia pra se guardar um segredo inventado,
mãos pra brandir
e soltar quando o sufoco do desejo for muito apertado.

Alguma emoção inesperada,
um certo verso original ou reformulado,
pra esfolar este silêncio,
pra desenferrujar o coração e os dentes.

Sangue novo,
distração atemporal,
quartos nunca antes freqüentados,
um sorriso desgraçadamente belo,
daqueles que submergem a harmonia com o rosto
e perturbam o sopor dos desavisados...

quarta-feira, dezembro 14, 2011

Grito na madrugada



Escutou-se um grito na madrugada. Porém, sem espanto, somente alguns despertaram. Só mais um grito, só mais uma madrugada.
Há um meio termo em tudo que se escolhe pra si. Não há sangue que lave o medo de quem se pergunta tolices demais.
A lua cheia aquecia a cidade e o coração roto de quem tinha tempo para olhar o céu.
Alguns são realmente bons, outros irremediáveis tiranos. A vida é como um beco escuro que pode dar em qualquer esquina; esquina que pode levar a qualquer lugar.
Sempre dizia que só se pode confiar em quem tem os olhos tristes. Talvez para parecer confiável.
Cada um traz dentro de si dezenas de mentiras pra contar, mas, apenas alguns têm a chance.
Das verdades, por vezes até feitas de alguma nobreza, nem sempre consolidadas só de versos vis; das verdades nem mais os padres querem saber.
(Se precisar de qualquer coisa, as procure nos sonhos, quando seu corpo parecer desfalecido e as horas, pequenas gotas molhando o colchão. Só não busque o amor nos sonhos, tente outros jogos sórdidos, outras mesquinharias mundanas).

sábado, abril 10, 2010

tentativa de contar a vida pra Torres.

Nasci em março de 1988, minha mãe estava com 39 anos quando engravidou de mim, meu irmão do meio 14 anos e o mais velho 16.
Nasci de uma cesárea, no começo de uma tarde de um dia frio. Quando março ainda era frio.
Aprendi a ler aos cinco anos, com minha mãe, entrei na pré-escola aos quatro anos. Minha mãe trabalhava quase em tempo integral e eu contratava algumas mulheres para cuidar da casa e de mim.
Aos três anos descobri um vinil dos Doors e repetia que era o “moço bonito” (Jim Morrison).

Lembro-me de quando os dias tinham o gosto bom do suco de hortelã que minha madrinha fazia pra mim.
Eu respirava a vida e meus cachos caiam por meus ombros desnudos: cintilante inocência.
Lembro dos olhos brilhantes e negros do meu pai, seu rosto corado pelas tardes: estende-se a alma na lembrança de traços tão finos e belos que enalteciam meu coração.
O cheiro dos bolos que ele fazia em minhas datas natalícias, a brisa doce dos sonhos de creme que povoavam meu imaginário pueril de alegria transbordante.
Cinco anos, cinco destinos (que se reduziram fatalmente em pedra no chão), os cabelos dourados da mãe, a calvície terna do pai sorrindo; ambos vestiam sempre a cor branca (a mãe enfermeira, o pai confeiteiro). Um branco tão altivo, para zombar de mim, anunciando a paz que jamais me acompanharia no decorrer da vida voraz...
Certa vez aos cinco anos, me joguei de uma pedra na praia do sonho em Itanhaém, uma tia conseguiu me agarrar antes que a correnteza do mar me levasse.
Não me recordo do que me impulsionou a tal, só me lembro do gosto da água, que parecia ter sangue, tinha cheiro de sangue, hoje penso que talvez seria de algum tubarão ferido.
Meu pai era confeiteiro, e no meu aniversário fazia um bolo escrito “parabéns Amanda” com letras bonitas, eu me achava o máximo por ser a única da rua que tinha bolo com o nome escrito.
Era uma criança tranqüila, que gostava de desenhar e de brincar sozinha; muito ligada ao pai, que feneceu vítima de um assalto quando eu estava com oito anos.
Descobri minha mãe desde então... Porém, morei um tempo na casa de minha tia, pois tive que mudar para uma escola pública, meio as tormentas financeiras e emocionais da morte do pai.Era um tempo solitário, pegava um ônibus que ia da vila Mariana até o parque bristol, ia cantando legião urbana no ônibus, minha prima e sua amiga não se identificavam muito comigo.Acabara de perder o pai e estava em terra estrangeira novamente, meu tio fazia tranças no meu cabelo, fazia o mesmo com minha prima, mas ela tinha o cabelo bem armado e eu nem tanto. Odiava as tranças e a vitamina de banana com abacate que eu engolia com certo asco antes de ir pro colégio.
No colégio na Vila Mariana, público, conheci um pouco da vida, via de longe garotos fumando, com rostos cansados, diferentes dos que eu conhecia, na segurança do privado.
Aos onze anos comecei a escrever poesias e algumas crônicas, aos doze “me apaixonei” pelo “tio da perua”, paixão que durou até os quatorze anos e que rendeu-me muitos escritos, que eu queimei no fim da oitava série.
Houve aquela vez que bati com a cabeça da guria do pré no fundo da pia entupida e de azulejos gastos, ela me ofendeu, ou ofendeu uma amiga minha (amizade pra mim sempre teve grande significância), naquele dia senti medo e um pouco de pena, fui levada para conversar com a diretora, a garota chorava de soluçar, eu assumi que havia agredido-a, mas não tive a intenção de rachar a cabeça da pequenina, Suelen seu nome, não esqueço.
Mandaram um bilhete pra casa, mostrei pro meu pai que me repreendeu pela violência; mamãe apenas me perguntou da razão da agressão.
Meu irmão me emprestava gibis, livros, me mostrava músicas e eu o admirava tanto por ser tão sensível e por tocar naquele violão a trilha sonora que me acompanharia pela vida afora. Longas melenas, roupas pretas... Como eu queria ser como ele! Tentou me ensinar a tocar violão, mas nunca tive a persistência necessária.
A natação me regozijava, meu pai me buscava no fim da aula e me comprava um misto.
Sempre fui muito comilona, e gostava dos sonhos que ele me trazia da padaria.
Minha mãe passava pouco tempo comigo, só tenho recordações de pequenas brigas e de como ela fingia interesse das coisas eu fazia na escola em dias das mães (ela nega o desinteresse, claro!), meu pai achava tudo que eu fazia lindo e passávamos tarde agradáveis brincando na sala, ou em mercados.
No dia em que meu pai morreu; eu não sentia meu corpo. E senti mais pena da minha mãe do que de mim mesma.
As férias passava em Minas Gerais num misto de tediosa morbidez e alguns espasmos de familiaridade, não gostava das minhas e de como elas se portavam, sempre odiei o medíocre e bebia vinho escondido.
Um dia meu pai perguntou ao meu irmão mais velho em que país moravam os unicórnios, meu irmão começou a rir num ar de superioridade tão irritante, riu, riu e depois disse que unicórnios não existiam. O odiei muito naquele instante e disse ao meu pai depois que os unicórnios existiam e moravam em todos os lugares, e que somente os corações que mereciam podiam ver.
Fiz judô por um tempo também, não gostava muito das crianças que faziam aula comigo, e tampouco do professor, que na mudança de faixa passou todos do meu grupo para a azul escura e eu sem motivo algum somente para a cinza, achei injusto e após a cerimônia de mudança de faixa em que chorei escondido no banheiro, nunca mais voltei ao judô.

Não era uma menina fresca ou frágil, tinha complexo de superioridade, queria sempre parecer mais velha do que era, e de fato eu era bem mais velha que todas as outras crianças, na alma talvez. Achava tudo bem idiota. Mas sorria muito.

segunda-feira, novembro 23, 2009

(No seu inferno eu não tomo sequer mais uma cerveja)



Pois é.


O ano vai acabar de novo, e sinto como se tivesse se passado apenas alguns meses desde que ele começou.


A melancolia é inevitável, depois de tanta coisa vivida, sonhada e destruída. Mas melancolia é aqui mesmo... Nem eu mais dou tanta importância.



Todo homem precisa de uma mulher tranqüila que não se importe em deixar de ser quem é para compartilhar com ele um lar...


Os homens se apaixonam pelas meninas loucas, vão atrás delas no seu ambiente natural, as fazem sentir admiradas por cada defeito, mentem que vão fugir com elas pra bem longe de toda essa caretice idiota, e depois acabam matando-as numa festa de família.



Eu não confio em homens.


Eles sabem como ferir, seja com as mãos, seja com palavras escritas e ditas. Os homens sabem até como matar amor que é eterno, primeiro, latente...



E o ano vai acabar de novo, todo ano acaba o ano. E todo ano acaba uma Amanda diferente... Desse ano fica esse nó na garganta, essa sensação de que muito pouco mesmo do que eu fiz teve algum sentido.



Tirar um tempo pra fazer só o que eu quis, deixando o amor me levar; cuspir na minha cara, pintar meu nariz, enfiar o dedo no meu cu, fugir de casa, matar alguns leões, plantar algumas ervas daninhas e ter um sorriso de festim. Não me arrependo de nada.


Eu não sei como me arrepender, e tudo de ruim que aconteceu, se mistura com tudo de real e bom, até onde eu fui capaz de sentir isso como bom.



Eu ainda sou apaixonante como todas as meninas loucas.


Pena que já não sei mais amar e dar á euforia o sentido da minha existência.


Minha existência era apenas sentir. Nunca foi esse lamento, essa sensação de coisa morta, de ferida que não cessa, de coração vazio que não quer mais ver o mundo enquanto o meu céu ainda for esse.



(No seu inferno eu não tomo sequer mais uma cerveja).



É fim de ano, e quando dá uma saudade de tudo que era próximo, afável...


É quando a solidão aperta e pra todo mundo que eu olho fica só uma vontade de me esconder, de chorar e de ir embora sem dizer nada.


É fim de ano, e ninguém pode fazer nada por ninguém, o ano vai acabar e o que não foi feito, não mais se fará.



É tempo de se esforçar, aceitando que é em vão. São muitas marcas em evidência, nem mesmo a maquiagem nos disfarça de nós mesmos.



Pra quem conhece e já me viu chorar, todos sabem que minha rima era o amor, e há também que ache que ele justifica tudo. Pra mim ele só legitima o desvario, que é fuga e que morre também.


O amor morre antes da gente morrer...


Antes do ano acabar... E acaba com a gente.

sexta-feira, setembro 18, 2009

Quantos anos dura um engano?

Abracei o travesseiro e chorei um pouco.
Sei que não vou dormir. Me faz alguma falta ter um amigo pra ligar desesperada de madrugada, mas eu não me desespero mais e nem sei se ainda tenho amigos insones como eu.
Quantos anos dura um engano?
Com quantas lágrimas se enche um rio que nos carregue pra bem longe?
Minha mãe sempre me alertou quanto ao tempo, eu nunca tive noção dele, conto o tempo pelos anos em que meu pai faleceu. Contava, agora nem isso.
O meu tempo é minha insanidade me contorcendo em tempo perdido.
Se fosse só o tempo...
Essa juventude que me distraí, me exaure sem matar, sem parar o coração, sem me ensinar nada que eu não erre de novo em poucos dias.
Na verdade eu só estou contrariando a mim mesma, correndo em círculos por não acreditar em mais nada. Por não querer mais nada. Por só sonhar com o que é morto.
Meu quarto está uma bagunça, tudo fora de seu lugar. A vida toda no mesmo rumo.
Idiotice minha deixar tudo ficar assim, não falo só do quarto, mas de todo o resto porque se alguém vai ter que arrumar tudo sou eu mesma e sozinha.
Não fujo de mais nada e não vejo nada no meu horizonte.
Eu tinha um gato, o Joaquim, que saudade que me dá.
Eu tenho andado muito só e já não tenho certeza do que digo, se sinto, se calo, se nego, se peco, se erro e se erro mais um pouco.
Não sei como cheguei nesse ponto.
Eu li em algum lugar que a felicidade exige tristeza.
E a tristeza exige o que?
Nossa vida toda? Em que parte vem a felicidade? Nunca vi.
Cansada de usar a droga da vida e ser usada como droga por ela.
Ambas não suportamos a badtrip.
O Abujamra acabou de citar uma frase: “O amor é a morte de qualquer alma...”.
E o que a gente faz sem a alma?



Alguém sabe me dizer quantos anos dura um engano?

domingo, setembro 13, 2009

a menina dos olhos da cor dos cabelos


"Todo meu pecado só consiste em ter
Tentado me encontrar em meio a teu semblante
Crendo que a vida é como um circo
Num surto de alegria prestes a se apresentar


Já não lembro o que fui antes de você
Sei, acreditava em verdades
Tudo era simplesmente verdade
Tudo era assim


O certo agora é o que eu não posso ver
Medir teu gesto sem vestir teus olhos
Correr meus pensamentos sem te interromper
Pinçar os meus caminhos sem te ter em foco


Eu quero, mas não quero
Estar no seu mundo
E ter aos meus pés incertezas
E minhas contradições


Eu busco um alento, um minuto
Que ainda não apareceu
Pela janela te vejo em detalhes à meia-luz
Eu desenho um poema ao tentar lembrar de ti
E o meu desejo é meu


Perdido em detalhes de cores e beijos
Pronto pra me arrepender
Por viver nesse minuto
Que eu queria o tempo inteiro"


(velhos e usados)

quinta-feira, agosto 27, 2009

"your ex-lover is dead"


Diversas vezes, no quarto de livros tranqüilo da minha mente, eu fico divagando sobre a minha tumultuada espiritualidade.
Nessa noite de cara limpa eu consigo respirar como há meses não respirava. Sinto só o vento, e ele me dá o frio que eu preciso pra me curar desse estado febril de um corpo cansado, de marcas tão desgraçadamente significativas quanto se tivesse um verso de Bandeira tatuado nas costas.
“Quando a cabeça não pensa o corpo paga o pecado”?
Que nada, isso é rima de música sertaneja...
O corpo não paga pelos pecados. A cabeça que paga caro, acumula juros em desvario.
Mas nessa noite eu consigo ver a sorte que eu ainda tenho.
Consigo pular corda na minha imaginação que não está focada em nada. Que não se importa com mais nada que eu já tenha imaginado.
Imaginemos o horizonte tão somente. Consegue?
Fechar os olhos sem exigir nada dos sonhos.
Abrir o zíper sem imaginar o som os dedos estalando...
Fechar a cara e não usar do humour com tramas clichês.

Eu não uso verbos como o “ser”. Um palavrão na hora certa me liberta.
A minha violência é quase laica.
Eu é que insisto em arreganhar muito os olhos pra ver o que não existe.

Agora basta.

segunda-feira, agosto 17, 2009

NADA MAIS VAI ME FERIR...

Hoje eu sei que boa parte dos meus sonhos nunca seriam reais, ainda bem que os reciclei antes do fim... Do fim da minha juventude, dos meus dias fortes, ainda que melancólicos.
Nunca fiz maldade gratuita, nunca ousei machucar ninguém por vontade, por vingança.
Não acredito em vingança e minha arrogância não tem qualquer ligação com violência.
Ainda não consegui nada de meu, sinto um desconforto imenso nesses meus dias. É tanta solidão e eu gosto dela, por isso não vou sair daqui pra ser machucada.
Ontem sentei na praça e fiquei vendo as crianças brincando, lembrei de quando meu pai me levava pra brincar naquela mesma praça.
Meu pai me faz muita falta, ter um homem por mim me faz muita falta, e nem é daquelas faltas que eu comento, é daquelas faltas que eu sinto.
Eu não vou mais insistir, e pela primeira vez eu estou falando sério, não vai mais ter filho da puta nenhum pra me dizer que eu sou aquilo que eu não sou.
Se essa merda toda é culpa minha, não será mais. Grandes histórias exigem longos fins, eu não sabia. Não sabia de muita coisa, que agora eu sei, e que nem queria ter ficado sabendo.
To juntando os MEUS pedaços, porque eles são apenas meus.
Morre uma, nasce qualquer coisa que se sabe digna e sincera. Sempre sincera.

quarta-feira, agosto 05, 2009

I know it's over...


Minha cabeça dói há quatro dias sem dar trégua.
Não há consolo pra quem foi traído, pra quem se envergonhou da existência e sentiu o gosto podre da humilhação descer garganta a baixo.
Te desejar o mal? Como se fosse possível.
Se ao menos eu fosse capaz de desejar alguma coisa, desejaria um pouco de orgulho e perseverança pra não cair mais em ardis que meu coração cria e a sua maldade gerencia. Ou desejaria que alguma espécie de raio caísse sobre a sua cabeça, mudasse você por completo e te transformasse numa pessoa melhor, menos vil, menos mentirosa e que voltasse pra me buscar...
O que mais dois é a seqüência dos fatos, as palavras que saem com um esplendor que tornam o mal exato em sua intenção.
O que mais dói é ver que o amor da gente não implica em nada nas coisas ruins que vão nos acontecer.

São tantas coisas que doem e o problema não é nem a dor em si, viver em dor é hábito antigo, eu sou forte e nem tomo analgésicos, o problema é ver a vida como ficou, o desfecho da história, ver que o amor só existia em mim e que se alguém ainda vai lembrar e enlouquecer sou eu, essa história era a minha.

(Sou inconstante, inconseqüente, costumo dizer que estou no mundo a passeio, não sei porquê eu vivo assim e encaro as coisas assim, eu sou resistente, coração aberto que rejuvenesce a cada dia ao invés de envelhecer, sou sem muita noção de dignidade e de sentimentos imensuráveis. Nunca ouvi a razão e aproveitei a emoção como um especialista. Ninguém nunca ditou meu tempo e meus verbos. Não me arrependo de nada).

Agora o que mais falta acontecer? Onde mais vou cair de boca no chão e ver você gritar comigo por ter perdido o equilíbrio sendo que foi você quem me empurrou?

Não vai acontecer mais nada até eu ressurgir dessa poeira que ficou dos meus sentidos, da minha alegria. Eu fechei o portão do meu mundo pra você, e confesso que estou com os dedos presos, eu grito de dor, mas aqui do outro lado, porque você não precisa e nem quero que me ouça mais. Talvez ampute o braço e consiga enfim as minhas asas.
Tenho que manter o portão fechado e esperar a mágoa passar, dissolvendo assim todo o meu amor vilipendiado pela sua estupidez.

Nada me consola mais.

terça-feira, maio 26, 2009

"hoje só acredito no pulsar das minhas veias..."


É curioso, mas eu estou me sentindo estranha, um sono constante, uma calma que parece mais cansaço.
Minha mente fervilha de histórias e eu sei que ao terminar de escrevê-las não farão mais sentido.
Eu não quero falar de mim; lunática por excelência, cruzamento de estrelas decadentes... (risos).
Porra, eu não consigo mais fingir que nada aconteceu, não esqueço da minha avó, do vento lá do alto daquele cemitério sujo, das coisas que eu sequer consegui pensar, mas que agora me chegam.
Um esforço idiota pra não machucar ninguém... Uma solidão maluca como se não pertencesse a essa espécie.
Sonhei com um gato suicida que falava comigo o porquê de sua decisão, e o céu era desenhado: aquelas estrelinhas que a gente aprende a fazer quando criança.
O gato reclamava que não se lembrava da última vez em que comera peixe (e que tanto gostava!), disse não combinar com a cor do telhado de sua casa e maldisse o amor desiludido com gatas que não se envolviam emocionalmente.
O gato dizia tantas coisas malucas, falava de saudade, de como a humanidade estava sozinha, olhava pra mim triste: “a sua solidão é a do planeta”...
Difícil colocar a minha cabeça no lugar, ouvi por horas o que o gato falou e acordei quando ele disse que ia pular...
Nem sei pra onde ele foi, ou se morreu.
Senti-me culpada por acordar.
Eu me sinto culpada todos os dias ao acordar.
Cansada de provar que meus pés estão firmes em solo de decência (eles nunca estiveram em outro lugar). Se deus existisse seríamos bons amigos, ou namorados.
(Urgência é urgente e ninguém discute a urgência de ninguém, nem com poesia. É...).

quinta-feira, maio 07, 2009

"depois da grande noite vai esconder a cor das flores e mostrar a dor..."


Nunca mais aqueles sapatos vermelhos de salto-alto, nunca mais o casaco de plumas negras em noites que ainda não eram de inverno.
No peito saudade acumulada em forma de flores de papel crepom.
As formas todas desiguais com a saliva da solidão que tudo contamina. Nossos sonhos e nossas escolhas não têm o mesmo valor.
Os versos e as palavras se contorcem na sala fria da sua vergonha em viver. Pulando ondas numa praia nunca antes vista. Sentindo o mesmo vento que ainda sim parece estrangeiro, parece indiferente ao embaraçar os meus cabelos.
O espírito vazio, dos sentidos inertes, das febres que ninguém notou, das noites que ninguém me viu.
Alegria que só se fez em euforia, até ai parte da história, até ai é da cor dos bordados do seu tempo.
Sei tão pouco do legado da humanidade, sei que sempre houve a morte e havendo morte foi forçada a vida; e dessa vida ouvia dizer que o que fazia sentido era o amor e demais demências contagiosas.
Tantas putas em tantas esquinas, os assassinos nas mesas dos bares, tanta coisa adiada sem aviso prévio. Tantos avisos sem cartazes... Dá pra ver tevê sem som. Dá pra arrumar a cama só quando se trocar os lençóis.
Eu nunca precisei de salvação, mas admirei sim as simbologias mais espirituais nas miragens cósmicas que apenas eu vi... Todo um encanto que hoje é piada na boca de quem sequer sabe contar piadas.
Talvez todo esse meu lixo particular (guardou o seu num lugar bem afastado?) não tenha mesmo chance de reciclagem por qualquer afeto espontâneo como conversas em pontos de ônibus.
Nunca reclamei de sentir dor (hematomas sem passado); nunca precisei colocar o dedo em riste pra impor pensamentos inofensivos. A minha humildade floresce da culpa que eu nunca amenizei.
Um trem lento me leva, trilhos novos, portas quebradas... É tão devagar e me lembra que eu não sei mentir e que isso ainda vai me empurrar pro matagal que me cerca.
Pode tudo vazar, extravagar em descompasso o que já foi decisão.
O destino foi vilipendiado e não há parada de repouso de mais de três horas, o tempo uiva e nos apodrece.
Nunca gostei de me explicar, as minhas verdades expostas se fazem em voz baixa (no rosto feito de sorriso, na mão que abriga o rosto).
Há um tédio e um desconforto digno dessa existência humana, dessa humanidade relapsa e mesquinha, e os ínfimos impulsos idiotas nos casam com a decadência. Eu aprecio as angústias mais sangrentas (acontece, por vezes: sangra por trás das minhas unhas e acordo com pardais mortos embaixo do meu travesseiro).
Enredo de samba novo não pode ser amor, os pés não dançam e a dignidade não adormece.
(Nunca mais aquele ar de filme nacional antigo: sensação telúrica de sentir-se real).
Pouca percepção, bolhas nos dedos pra tentar um contorno mais vívido, pus branco saindo dos olhos... Cheiro de corpo que apanhou: palavrão de boca que se diz sacra.
Daqui eu sei, o inferno tem as mesmas cores que o meu amor.
Eu quero desenhar uma borboleta morrendo.




sábado, fevereiro 07, 2009

tudo que ressalta quer me ver chorar.

Eu sou uma boca aberta. Estranho começar um post assim? Hum. Que seja!
Faço
a mexicana
sempre que posso, choro no ônibus, conto minha vida pra desconhecidos quando estou alcoolizada e quando estou muito triste desabo e vomito minhas crises em cima de quem parar pra ouvir.
Eu falo demais.
Não sempre, mas não consigo guardar minha dor as vezes, e o bom disso tudo, é que nunca me importo com o que disse em excesso, porque no fim das contas, também não é exatamente aquilo que queria dizer.Talvez por essa razão escreva, porque fora a verborragia que me dá, sobra muito que não sei dizer, que contradiz tudo que eu tenha dito.
Bom, depois de me justificar, eu quero vomitar em frases soltas o que me assola.
Afinal esse blog é meu e entra quem quiser...
Eu ando colecionando alguns complexos que não são meus, estou mais confusa que alerta e isso ainda vai me foder pelos olhos.
Talvez viver doesse menos se eu não amasse tanto a minha mãe, se eu não fosse uma cópia moderninha da mesma, se eu pudesse rir e chorar com ela sem ser no último caso; talvez a chuva caindo no meu rosto fosse refocilante de novo. Talvez não comeria mais apenas pra tentar amenizar o peso das horas com batatas fritas engorduradas do restaurante frente ao trabalho quase tão gorduroso e patético quanto as batatas.
Talvez se meu irmão me ligasse, se eu parasse de fingir que o olhar do meu tio não é ainda um dos lugares mais lindos do universo.
Talvez a vida pesasse menos se enfim alguma boa intenção minha voltasse como brisa amiga, talvez se eu não fosse tão nobre com os porcos, como disse certa vez aquela garota que presenteei com o Neruda (e que nunca leu).
Talvez se o amor fosse mais troca e menos empréstimo... Se eu não tivesse esse modo tão medieval de amor... Se eu parasse de colorir as asas dele já que parece que ele não tem a mínima vontade de voar.
Uísque e tristeza é uma péssima combinação e não me deixa dormir o que é mais trágico.
Acordei hoje de manhã, duas horas antes do horário, haviam muitas formigas andando pelo teto; quando criança quase morri por conta delas, e tenho certeza que estas que lá no teto caminham estão tramando a minha morte.
Eu preciso comprar uns livros e nunca sobra dinheiro, ou esqueço.
Hoje sentou uma mulher do meu lado no ônibus, ela chorava tanto, falava no celular, havia acontecido algo com sua mãe. Ao notar que ela desligou o celular peguei em sua mão e disse que ficaria tudo bem. Ela me olhou surpresa, afinal as pessoas não costumam se preocupar com as lágrimas de terceiros.
Perguntei o que havia acontecido, ela soluçando disse que a mãe havia caído quando foi abrir a porta pra ela, disse que a mãe bateu a cabeça e que se sentia culpada pois o acidente aconteceu por uma solicitação dela.
Eu disse que as coisas acontecem e acidentes não costumam ter personagens pré-determinados (uma vez tendo, não seria mais acidente).
Eu perguntei se a mãe dela estava consciente, ela disse que sim, que já estava em casa e que o médico até havia a liberado para ir à formatura da filha mais nova. Então eu disse a ela que ficasse calma e que buscasse esquecer esse episódio, pois só iria piorar se ela ficasse triste durante a formatura. Disse também que buscasse distrair a mãe falando de outras coisas e que guardasse o susto e a culpa inevitável (mesmo que inexistente) somente dentro do coração, pra chorar depois, quando fosse dormir, disse a ela que antes de dormir tudo é permitido, até mesmo tramar assassinatos, ela riu.
Todos no ônibus ficaram prestando atenção na conversa, sei que peguei em sua mão desejei força, recomendei que se divertisse na formatura, que tirasse bastante foto sorrindo ao lado de sua mãe, ela me agradeceu, perguntou meu nome e mandou-me seguir com deus, sorri, desci no terminal e ela seguiu rumo ao Jabaquara.
Curioso, como palavras simples às vezes fazem bem, é curioso também como faz bem o simples ato de tentar fazer o bem. Sem demagogias, por favor.
Ao subir a rua pra chegar à casa um temporal de filme de terror me pegou no caminho: vento, e neblina, e árvores parecendo que iam quebrar, e eu toda encharcada, chorando na chuva, e raios e medo, medo, medo... Mas não temi tanto a chuva estando sobre o controle dela, quanto temo a chuva quando estou no meu quarto.
Pensei se um raio me atingisse poderia morrer, ou ganhar poderes sobrenaturais: sofista ou niilista num dia como o de hoje desejei a primeira hipótese.
Mas há de ser somente um vento ruim, meu anjo brigando com o da minha mãe por alguma tolice de anjos...
Ah...
“Eu ando pelo mundo divertindo gente, chorando ao telefone...”
, o mesmo número, a mesma voz, (salva-me meu amor!).
Amor não salva ninguém. Amor é pedra rara mal lapidada que se joga pra cima e volta na testa.
Se limpa o sangue e continua garimpando no asfalto cinza, em descompasso.
(Com o tempo se esquece o que se procura, e pior, fica a dúvida se existe mesmo o que se busca).

terça-feira, janeiro 06, 2009

felicidade mora aqui comigo até segunda ordem.


Coisa complicada é escrever sobre felicidade, pra quem me conhece fica fácil de ver, não preciso dizer muita coisa.
Tão bom segurar as mãos e melhor! Sentir de novo a segurança em segurar as mãos.
Tenho estado cansada: trabalho meio besta e horários desumanos.
Mas, meus caros, nada pode definir a alegria que eu sinto em ter o domínio sobre a minha vida, pelo menos parcial, e nada pode ser melhor do que ter ao meu lado aquele que sempre amei.
Dá medo sim, daqueles de levar ao auge do desespero seguido dum riso maluco de euforia. No entanto, meus poros exalam o amor de novo, o sorriso volta ao meu rosto sonolento e os fins de tarde são de novo transcendentes e coloridos.
Deixei os cachinhos caírem sobre meus ombros e o rosto limpo tem a expressão exata de quem está exatamente onde queria estar...
Esse ano começou da forma mais sensacional, e não porque era noite de ano novo, mas porque estávamos juntos e definitivamente não podemos nos perder nunca mais.
Pois é, eu não sei escrever sobre felicidade, fico por aqui.
E sim, eu estou muito feliz!

domingo, setembro 21, 2008

by my side na jukebox.

A sensação de não saber (e de saber) exatamente o que vai acontecer quando você se aproximasse.
Nós dois com sorrisos cretinos no rosto, ambos desejando chorar até o amanhecer.
Sempre tenho a sensação de que é última vez em que estamos juntos enquanto a gente caminha pelas ruas.
E sempre desejo que seja a última vez.
Há certa tendência em mim de tentar ignorar todas as coisas bonitas que acontecem entre nós, mas isso eu sei te explicar e você sabe como entender.
No entanto, as coisas ainda são belas, ainda que sofridas.
Fingir dormir por duas e horas e meia, abraçada com você, cabelo molhado, franja que virou cachinhos; vendo-te dormir pelo espelho...
Ter certeza de tudo por algumas horas e depois te abraçar, pegar o metrô.
Ter os joelhos esfolados, dormir o dia todo e não conseguir sequer escrever algo sobre a nossa noite, não por falta de enredo, não por falta de amor, mas por uma falta de esperança tremenda e por não saber sequer se o que te fiz foi bem, ou se nós somos a raiz do nosso mal.
Teria feito por qualquer pessoa que eu goste o que eu fiz por você ontem, mas eu fiz por você.
Os fatos se explicam por si mesmos.
Não nos casaremos semana que vem, você não me ligou e está quase na hora de tomar o comprimido.
Agora eu passo o resto da semana fingindo que nada disso tem importância, que eu posso abrir mão de tudo isso por... por sei lá o que.
Enfim, foda-se, foda-se tudo!
Eu sempre paguei o preço dos meus atos.
Boa noite, não precisa me agradecer por salvar sua vida mais uma vez.

quinta-feira, setembro 18, 2008

"ah se fosse a saudade, mas são teus olhos que me seguem, que me cegam..."

No vidro da janela da classe eu vi meu rosto.
Arrumei a franja do cabelo que não penteio há dias.
Fiquei olhando meu rosto meu pálido, os olhos escuros ainda que inchados.
Por um instante pensei que ouvia sua voz no meu ouvido, como naquele dia que tentei esconder tristeza de você: “Claro que você está triste, quando fica mal seu rosto fica bem branco e seus olhos ainda mais negros mesmo que inchados pelo pranto”. Você vê, só você sabe me ver...
Era bom estar triste naqueles dias, eu não era somente uma garota triste (...), eu era a sua garota triste, e mesmo sem um puto (...) , eu podia acalmar meus olhos no seu olhar... E ainda é você o único lugar do mundo em que me encontro de fato. E apenas sorrio, porque de alguma forma ainda posso estar em você, em raros dias negros de saudade antiga, mas que num beijo se tornam luz.
Sequer sei abaixo de que lua estamos, se o nosso time jogou...Você se foi, e o preço do (...) subiu. Caralho!
(Quase um ano, e ninguém vai sentir isso por mim. Pudera nem eu sentir também...).

quinta-feira, junho 26, 2008

E depois de um dia difícil pensei ter visto você entrar pela minha janela...


"Eu quis você

E me perdi

Você não viu

E eu não senti

Não acredito nem vou julgar

Você sorriu, ficou e quis me provocar

Quis dar uma volta em todo o mundo

Mas não é bem assim que as coisas são

Seu interesse é só traição

E mentir é fácil demais

Mentir é fácil demais

Mentir é fácil demais

Mentir é fácil demais

Tua indecência não serve mais

Tão decadente e tanto faz

Quais são as regras? O que ficou?

O seu cinismo essa sedução

Volta pro esgoto baby

Vê se alguém lhe quer

O que ficou é esse modelito da estação passada

Extorsão e drogas demais

Todos já sabem o que você faz

Teu perfume barato, teus truques banais

Você acabou ficando pra trás

Porque mentir é fácil demais

Mentir é fácil demais

Mentir é fácil demais

Mentir é fácil demais

Volta pro esgoto baby

e vê se alguém lhe quer"


(renato russo)

terça-feira, maio 06, 2008

alegoria de mim mesma.


Eu só tenho vinte anos, mas sei o que move cada canção de amor que ouvi durante esta minha breve vida.
Porém, é um mistério para mim como entre tantas misérias e cólera, a humanidade prefira cantar o amor.
Logo nós humanos que fazemos do amor uma farsa tão besta, logo nós humanos que só sabemos demonstrar dor com sangue e lágrimas. Porque você pode falar por horas e ninguém te levar a sério, porém, se você começar a chorar e sangrar parece que legitima a dor idiota que não merecia sequer que você falasse dela.
Amor e dor, a rima mais piegas que eu já vi, mas se distanciando da poesia, fazendo-se ver estes dois somente como a placenta da existência humana, dá pano pra manga pra qualquer idiota metido à inteligente discursar...
O amor é para os mais tolos, sentimento de massa que faz qualquer um notar o quanto é miserável e limitado.
A porra do amor não sente qualquer remorso em nos roubar os dias, os meses, os anos, a pequena existência; porque eu ainda tenho a convicção de que uma vida inteira as vezes não tem o profundo significado que alguns meses podem ter.
É assim mesmo: vários cretinos entrando e saindo das nossas vidas; levando tudo que há de melhor no nosso ser já tão patético e vazio.
E entreguei todo o meu ouro por amor. Sequer recebi dignidade de troco.
(Se puder fingir que eu não existo eu agradeceria, já que fingiu coisa pior quando jurou que me amava).
Mais palavras, duma mensagem que era pra você. Enfim, me esquece, desaparece de vez, por favor... Eu já chorei e já sangrei nos seus braços e mesmo assim você não me levou a sério. Você já pensa demais em você mesmo, não preciso mais pensar.
Foda-se! Eu sigo, mesmo sem sentido nenhum.

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Vão me cortar os pés mais uma vez.
Não vão permitir que eu faça parte, que eu seja o abraço mais forte.
Vou ser só mais uma, mais uma vez e outra.
Tudo de novo, a dor, a tristeza, as lágrimas que não cessam.

De novo e de novo...

E esse amor que é tão novo vai ter que morrer...

terça-feira, janeiro 22, 2008

medo de se amargurar pelo que não se fez...

Quem vai acreditar na minha loucura?
Quem vai sustentar meus passos quando eu correr como quem vai de boca ao chão?
Você?
Ele?
Ela?

Ah, não tente me salvar quando o que eu quero é comoção,
Tenho dormido tanto, tenho exalado tanta fumaça atroz e suspirado em doces versos pra te fazer levantar.
Você não levantou amor!

Quero dormir até esquecer que você dormiu...

Quero vomitar essas horas de sangue e de mentiras...
Quero um nariz que não falhe.
Um sexo que não sangre.

Quero esquecer que a vida vai passar independente se estou acordada ou não.
Quero não pensar que estou sendo escrava do que me move, do que eu amo.
Do que eu sei que é amor e que vai passar também...
Me deixa ir...

Me beija a boca e ao menos me belisca a alma, pra que eu possa respirar.
Pra que eu sinta o sentido, pra que eu ainda tenha forças pra inventar sentidos... Por mim, por você e quem sabe por nós.

terça-feira, janeiro 15, 2008

janeiro continua sendo o pior dos meses...


Comi pouco no almoço.
Compensei com o sopro que me deu no estômago.
Eu estalei os dedos até doerem essa manhã.
Acordei cedo, chorei um pouquinho, até a tristeza se transformar em raiva.
Da raiva eu quis fazer um desenho, mas não quis procurar o lápis de desenho.
Já reparei que quanto mais a gente se entrega e vai alto, mais lenta é a queda, vai-se descendo devagar, raspando os braços na parede áspera da nossa insistência em voar com a asa do outro.
Depois senti fome, a vontade de chorar voltou, mas eu olhei pra chuva e tentei sorrir com a alma entre os dentes, querendo fugir de tanto susto, dessa vida de assombro que me abraçou.
Ele me ligou pra ter certeza desse amor que já foi tão certo...
Hoje, TALVEZ, seja acorde errante na minha canção.
Eu não agüento mais esse mês...
Eu sinto mais amor que raiva.
Mas ninguém precisa levar isso a sério.
“Espera passar... Também te amo, boa noite...”.