Começo a acreditar.
Acreditar é estranho quando nunca se acreditou em nada.
Mas não acredito assim com essa fé forçada e vomitada, nem sei mesmo se acredito.
Acho que não acredito mesmo.
Não acredito em você, pássaro de asas roubadas, não acredito no jornal, nem tão pouco no Drummond:
"Figurinha esquisita essa aí, não!? Menina que não sabe sorrir e dorme pelos cantos...", diria ele.
Mas pouco importa agora quem quebrou o vaso, quem sujou o tapete ou quem disse eu te amo primeiro.
"Alguém disse eu te amo?"
Como diria o Cheisquesper, muito barulho por nada!!!
Passa.
Vaza.
Escapa de mim.
...
quarta-feira, julho 26, 2006
terça-feira, julho 25, 2006
PORQUE DOEU UM BOCADO...

A Fé Solúvel
O Teatro Mágico
Composição: Fernando Anitelli
É, me esqueci da luz da cozinha acesa
de fechar a geladeira
De limpar os pés,
Me esqueci Jesus!
De anotar os recados
Todas janelas abertas,
onde eu guardei a fé... em nós
Meu café em pó solúvel
Minha fé deu nó
Minha fé em pó solúvel
É... meu computador
Apagou minha memória
Meus textos da madrugada
Tudo o que eu já salvei
E o tanto que eu vou salvar
Das conversas sem pressa
Das mais bonitas mentiras
Hoje eu não vivo só... em paz
Hoje eu vivo em paz sozinho
Muitos passarão
Outros tantos passarinho
Que o teu afeto me afetou é fato
Agora faça me um favor
Um favor... por favor
A razão é como uma equação
De matemática... tira a prática
De sermos... um pouco mais de nós!
Que o teu afeto me afetou é fato
Agora faça me um favor
Um favor... por favor
"Every time I see you falling
I get down on my knees and pray
I'm waiting for that final moment
You'll say the words that I can't say"
HOJE EU NÃO VIVO SÓ EM PAZ!
domingo, julho 09, 2006
.comida pra rato.
O Frio Especial
O frio especial das manhãs de viagem,
A angústia da partida, carnal no arrepanhar
Que vai do coração à pele,
Que chora virtualmente embora alegre.
Álvaro de Campos
O frio especial das manhãs de viagem,
A angústia da partida, carnal no arrepanhar
Que vai do coração à pele,
Que chora virtualmente embora alegre.
Álvaro de Campos
segunda-feira, julho 03, 2006
Colheita
Cores turvas no espelho,
a colheita dos meses frios,
e o amor que tarda e vinga cortando os dedos.
Pensas mesmo que termina em febre sem chaga essa doença que nos consome?
Suores noturnos: insone a tentar ressuscitar-me,
e dispensas o doutor louco em fúria
que sabe da temperança e da tormenta que nos comove,
e bem sei que comeu com mel minha petulância.
E eu escapo de ti com lágrimas entre os vícios tortos;
minha salmoura contra a dor de nunca poder (querer) voltar,
e era tudo por você até você não mais precisar (sangrar).
Conhece o édito e a perdição,
cada espada e cada lençol,
a solidão agora é hino queimado entre seus beijos que só me diziam adeus...
Segues pelos campos cinzas,
e deixastes cair um pincel, um tempo, um sol,
deixou cair qualquer vestígio de vida que depois das onze fosse me buscar,
mas não, não volta e não fere mais,
economiza os passos...
Faz retalhos nos olhos,
esquece as feridas que o vento secar,
já que dessa vez minha lágrima e saliva não vão bastar.
Cores claras na memória,
lembrar é tão doce que em demasia leva ao desgaste e ao hábito pedante,
por isso me esqueço tanto quando me lembro,
o mundo metade é lembrança e a outra metade invenção,
ninguém vive o que pensa,
e se lembra pensa apenas o que sente: condição!
Amar: ação gritante da danação,
eu e você,
num inferno tão nosso,
que como nossa harmonia
também vão nos cobrar...
Amanda Cristina Carvalho
3/7/06.
a colheita dos meses frios,
e o amor que tarda e vinga cortando os dedos.
Pensas mesmo que termina em febre sem chaga essa doença que nos consome?
Suores noturnos: insone a tentar ressuscitar-me,
e dispensas o doutor louco em fúria
que sabe da temperança e da tormenta que nos comove,
e bem sei que comeu com mel minha petulância.
E eu escapo de ti com lágrimas entre os vícios tortos;
minha salmoura contra a dor de nunca poder (querer) voltar,
e era tudo por você até você não mais precisar (sangrar).
Conhece o édito e a perdição,
cada espada e cada lençol,
a solidão agora é hino queimado entre seus beijos que só me diziam adeus...
Segues pelos campos cinzas,
e deixastes cair um pincel, um tempo, um sol,
deixou cair qualquer vestígio de vida que depois das onze fosse me buscar,
mas não, não volta e não fere mais,
economiza os passos...
Faz retalhos nos olhos,
esquece as feridas que o vento secar,
já que dessa vez minha lágrima e saliva não vão bastar.
Cores claras na memória,
lembrar é tão doce que em demasia leva ao desgaste e ao hábito pedante,
por isso me esqueço tanto quando me lembro,
o mundo metade é lembrança e a outra metade invenção,
ninguém vive o que pensa,
e se lembra pensa apenas o que sente: condição!
Amar: ação gritante da danação,
eu e você,
num inferno tão nosso,
que como nossa harmonia
também vão nos cobrar...
Amanda Cristina Carvalho
3/7/06.
terça-feira, junho 27, 2006
analgésicos ou Drummond?
Hoje me deu vontade de pintar um céu de verde, uma parede de preto, vontade cortar os cabelos, punir os opressores da minha solidão em tédio ao mundo.
Vontade estranha de ficar parada na frente do órgão publico mais próximo até que alguém me perguntasse alguma coisa.
Hoje eu não li, hoje eu não consegui pensar em ninguém, nem mesmo nele, sequer pensei em mim.
Sangrando o grande mal do gênero feminino.
Úteros, ovários, trompas, por que vocês existem?
Ah!
Cansada do que é simples, do que é obvio, do que é certo, do que é impossível.
Cansada de ver a vida passando, e cansada de só conseguir pensar em clichês azuis como os olhos que fascinam nas quartas feiras.
Só mais uma vida, só mais uma contradição.
Uma paixão estranha que não sabe ser e nem ficar, e ela vai embora, que as flores estejam na estrada e tenha um blues soando no ar, eu não vou impedir, vá!
Esvaziando-me pra ver o que vai ficar...
Talvez saudade, talvez um sorriso, ausência de lamentos já me bastaria.
Poesia é matéria de lembrança, nunca vale enquanto o que se escreve ainda faz presente.
Não deve doer tanto ser um museu...
Não deve doer tanto vê-la ir...
E se doer agente compra um analgésico ou um livro do Drummond.
Ah!
Alguma coisa deve amenizar...
por Amanda...
Vontade estranha de ficar parada na frente do órgão publico mais próximo até que alguém me perguntasse alguma coisa.
Hoje eu não li, hoje eu não consegui pensar em ninguém, nem mesmo nele, sequer pensei em mim.
Sangrando o grande mal do gênero feminino.
Úteros, ovários, trompas, por que vocês existem?
Ah!
Cansada do que é simples, do que é obvio, do que é certo, do que é impossível.
Cansada de ver a vida passando, e cansada de só conseguir pensar em clichês azuis como os olhos que fascinam nas quartas feiras.
Só mais uma vida, só mais uma contradição.
Uma paixão estranha que não sabe ser e nem ficar, e ela vai embora, que as flores estejam na estrada e tenha um blues soando no ar, eu não vou impedir, vá!
Esvaziando-me pra ver o que vai ficar...
Talvez saudade, talvez um sorriso, ausência de lamentos já me bastaria.
Poesia é matéria de lembrança, nunca vale enquanto o que se escreve ainda faz presente.
Não deve doer tanto ser um museu...
Não deve doer tanto vê-la ir...
E se doer agente compra um analgésico ou um livro do Drummond.
Ah!
Alguma coisa deve amenizar...
por Amanda...
segunda-feira, junho 26, 2006
depois das seis...
Para poder morrer
Guardo insultos e agulhas
Entre as sedas do luto.
para poder morrer
desarmo as armadilhas
me estendo entre as paredes derruídas.
para poder morrer
visto as cambraias
e apascento os olhos para novas vidas.
para poder morrer
apetecida me cubro de promessas da memória.
porque assim é preciso para que tu vivas.
H. Hilst
Guardo insultos e agulhas
Entre as sedas do luto.
para poder morrer
desarmo as armadilhas
me estendo entre as paredes derruídas.
para poder morrer
visto as cambraias
e apascento os olhos para novas vidas.
para poder morrer
apetecida me cubro de promessas da memória.
porque assim é preciso para que tu vivas.
H. Hilst
sexta-feira, junho 23, 2006
Dez lamúrias por gole
Isto é só um copo eu não bebi demais
Achei que era diferente e são todas iguais
Escrevi canções sobre ela mil noites sem fim
Deixou-me neste bar a cantá-las pra mim
Doce uuu uuuuuu uuuuu
Eu bebo da garrafa tomo o gin de manhã
Se o Príncipe era um sapo
ela devia ser rã
Eu amo quem eu sei que não me vai amar
Mas só assim me dá vontade de cantar
Doce uuu uuuuuu uuuuu
A dor existe e não dá pra esquecer
O peito insiste e não a deixa morrer
E eu não vou deixar-me beber como gin
E para estar sóbrio não basta só pensar em mim
Oh não
Deus não era isto que eu queria ser
O que me deixa mal
o que me faz viver
Sinto a roupa fria e o corpo dorido
Sinto o cheiro a vinho mesmo sem ter bebido
Nada Uuu uuuuuu uuuuu
Isto é só um copo a boca já me arde
Um homem varre o chão e diz que já é tarde
Senhor só bonne voyage é hora de fechar
E a Lua é mulher que hoje vou abraçar
Doce uuu uuuuuu uuuuu
A dor existe e não dá pra esquecer
O peito insiste e não a deixa morrer
E eu não vou deixar-me beber como gin
E para estar sóbrio não basta só pensar em mim
E eu não vou deixar-me beber como gin
(ortanis violeta)
Achei que era diferente e são todas iguais
Escrevi canções sobre ela mil noites sem fim
Deixou-me neste bar a cantá-las pra mim
Doce uuu uuuuuu uuuuu
Eu bebo da garrafa tomo o gin de manhã
Se o Príncipe era um sapo
ela devia ser rã
Eu amo quem eu sei que não me vai amar
Mas só assim me dá vontade de cantar
Doce uuu uuuuuu uuuuu
A dor existe e não dá pra esquecer
O peito insiste e não a deixa morrer
E eu não vou deixar-me beber como gin
E para estar sóbrio não basta só pensar em mim
Oh não
Deus não era isto que eu queria ser
O que me deixa mal
o que me faz viver
Sinto a roupa fria e o corpo dorido
Sinto o cheiro a vinho mesmo sem ter bebido
Nada Uuu uuuuuu uuuuu
Isto é só um copo a boca já me arde
Um homem varre o chão e diz que já é tarde
Senhor só bonne voyage é hora de fechar
E a Lua é mulher que hoje vou abraçar
Doce uuu uuuuuu uuuuu
A dor existe e não dá pra esquecer
O peito insiste e não a deixa morrer
E eu não vou deixar-me beber como gin
E para estar sóbrio não basta só pensar em mim
E eu não vou deixar-me beber como gin
(ortanis violeta)
quarta-feira, junho 21, 2006
Foda-se o que sei e o que eu te ensinei =[
O Gênio Incompreendido
eu sou só mais um gênio
perdido entre os livros da biblioteca pública
que você gosta de ter ao lado
pra se sentir madura
pra se sentir segura
da confusão
eu sou só mais um homem culto e divertido
que você sempre vai levar pros bares pra impressionar amigos
pra se sentir madura
eu sou somente a armadura
na escuridão
pena que nada disso importa
porque eu quero ser o homem que você deseja
quando toma banho
ou quando se masturba
eu quero ser o corpo que você almeja
quando está com fome
ou quando está insone
foda-se o que eu sei
e o que eu te ensinei
eu sou só mais um
por que você vem me chamar?
(Violins)
eu sou só mais um gênio
perdido entre os livros da biblioteca pública
que você gosta de ter ao lado
pra se sentir madura
pra se sentir segura
da confusão
eu sou só mais um homem culto e divertido
que você sempre vai levar pros bares pra impressionar amigos
pra se sentir madura
eu sou somente a armadura
na escuridão
pena que nada disso importa
porque eu quero ser o homem que você deseja
quando toma banho
ou quando se masturba
eu quero ser o corpo que você almeja
quando está com fome
ou quando está insone
foda-se o que eu sei
e o que eu te ensinei
eu sou só mais um
por que você vem me chamar?
(Violins)
terça-feira, junho 13, 2006
Nunca mais a cidade, nunca mais você
Sempre que surgia com suas cores e suas vidas enlaçadas - fazendo miséria no intervalo do ser e o esquecer-; a paixão ia tomando a paisagem disfarçada de perfeição.
A menina baixou a guarda, engoliu seu último pedido de clemência para a noite que só fez travestir de luz um olhar - que hoje eu sei - era somente escuridão.
Deixou de ser petulante, perdeu sua arrogância enquanto aquele ser costurava suas iniciais no seu peito aberto; escancarado pra toda aquela sensação de dor tão pungente que trazia seu fim em si mesma; por simplesmente fazê-la sorrir...
E foram tantos os sorrisos, palavras e saliva que ela pensou acumular na alma dele por trazer vigor em estar...
Era uma cidade imensa, tão grande que cabia dentro dela, pobre menina que carregou dentro de si uma cidade engrandecida (com luzes, ratos e cantores de blues taciturnos) por pensar que estaria carregando ele também (como uma raposa que adota cães alimentando com seu leite e sangue tudo que neles faltar); ele e toda aquela agonia quase irritante que sentia ao vê-lo rir da sua falta de paciência com tudo que respirava sem o mínimo de graça perto dela.
No entanto, ele - o menino da língua grande que roubava as estrelas do céu da boca dela, o menino dos olhos (negros) dela - não vivia na cidade que ela engoliu; ele não tinha tempo, não tinha vocação (a maldade nata do sexo masculino quando pensa se unificar com outro exemplar dessa espécie menor), ele não queria e nem podia ficar na cidade engolida pela menina...
Sina? Contradição dos deuses? Ingratidão dos ventos que só nos tocam e se vão? Ou dos que traziam as folhas do lado de lá?
Eu não sei! Eu nunca sei...
Mas não valeu mesmo o desenrolar dos cabelos, não adiantou nem mesmo o desenho e a poesia em linhas tortas, não se fez válida sequer a sinceridade -matéria prima- de cada gesto novo da menina.
Agora correndo entre as mais novas formas de vida, entre os mais caros sorrisos perfeitos, entre as imagens mais superficialmente belas; a menina enfia um resto de estrela garganta a baixo forçando um vômito dolorido, mas é inútil, esse corpo estranho que é a cidade já se perdeu dentro dela, assim como perdidas ficaram todas aquelas chances e olhares que complementaram o outro num vão que parecia terno.
Tudo precisa ser vomitado, mesmo que se perca a bile, mesmo que se perca a si mesmo num gesto bruto de quem descobriu que nunca nada no mundo foi feito pensando em você.
Por Amanda Cristina Carvalho em algum dia de junho de 2006.
A menina baixou a guarda, engoliu seu último pedido de clemência para a noite que só fez travestir de luz um olhar - que hoje eu sei - era somente escuridão.
Deixou de ser petulante, perdeu sua arrogância enquanto aquele ser costurava suas iniciais no seu peito aberto; escancarado pra toda aquela sensação de dor tão pungente que trazia seu fim em si mesma; por simplesmente fazê-la sorrir...
E foram tantos os sorrisos, palavras e saliva que ela pensou acumular na alma dele por trazer vigor em estar...
Era uma cidade imensa, tão grande que cabia dentro dela, pobre menina que carregou dentro de si uma cidade engrandecida (com luzes, ratos e cantores de blues taciturnos) por pensar que estaria carregando ele também (como uma raposa que adota cães alimentando com seu leite e sangue tudo que neles faltar); ele e toda aquela agonia quase irritante que sentia ao vê-lo rir da sua falta de paciência com tudo que respirava sem o mínimo de graça perto dela.
No entanto, ele - o menino da língua grande que roubava as estrelas do céu da boca dela, o menino dos olhos (negros) dela - não vivia na cidade que ela engoliu; ele não tinha tempo, não tinha vocação (a maldade nata do sexo masculino quando pensa se unificar com outro exemplar dessa espécie menor), ele não queria e nem podia ficar na cidade engolida pela menina...
Sina? Contradição dos deuses? Ingratidão dos ventos que só nos tocam e se vão? Ou dos que traziam as folhas do lado de lá?
Eu não sei! Eu nunca sei...
Mas não valeu mesmo o desenrolar dos cabelos, não adiantou nem mesmo o desenho e a poesia em linhas tortas, não se fez válida sequer a sinceridade -matéria prima- de cada gesto novo da menina.
Agora correndo entre as mais novas formas de vida, entre os mais caros sorrisos perfeitos, entre as imagens mais superficialmente belas; a menina enfia um resto de estrela garganta a baixo forçando um vômito dolorido, mas é inútil, esse corpo estranho que é a cidade já se perdeu dentro dela, assim como perdidas ficaram todas aquelas chances e olhares que complementaram o outro num vão que parecia terno.
Tudo precisa ser vomitado, mesmo que se perca a bile, mesmo que se perca a si mesmo num gesto bruto de quem descobriu que nunca nada no mundo foi feito pensando em você.
Por Amanda Cristina Carvalho em algum dia de junho de 2006.
A uma passante
A rua ensurdecedora urrava ao meu redor
Alta e esbelta, toda de luto, majestosa na dor,
Uma mulher passou, a mão vaidosa
Erguendo, balançando a bainha e o festão.
Ágil e nobre, com pernas de estátua.
Eu, crispado como um extravagante, bebia
No seu olho, lívido céu que gera o furacão,
A doçura que fascina e o prazer que mata.
Um clarão... e a noite depois! - Fugidia beleza,
De olhar que me fez renascer,
Será que só te verei de novo na eternidade?
Tão longe daqui! Tão tarde! Talvez nunca!
Pois ignoro para onde vais e não sabes para onde vou.
Ó tu que eu teria amado, ó tu que sabias disso.
(Charles Baudelaire)
Alta e esbelta, toda de luto, majestosa na dor,
Uma mulher passou, a mão vaidosa
Erguendo, balançando a bainha e o festão.
Ágil e nobre, com pernas de estátua.
Eu, crispado como um extravagante, bebia
No seu olho, lívido céu que gera o furacão,
A doçura que fascina e o prazer que mata.
Um clarão... e a noite depois! - Fugidia beleza,
De olhar que me fez renascer,
Será que só te verei de novo na eternidade?
Tão longe daqui! Tão tarde! Talvez nunca!
Pois ignoro para onde vais e não sabes para onde vou.
Ó tu que eu teria amado, ó tu que sabias disso.
(Charles Baudelaire)
sexta-feira, junho 09, 2006
AVANTESMAS...
Destruição
Os amantes se amam cruelmente
e com se amarem tanto não se vêem.
Um se beija no outro, refletido.
Dois amantes que são? Dois inimigos.
Amantes são meninos estragados
pelo mimo de amar: e não percebem
quanto se pulverizam no enlaçar-se,
e como o que era mundo volve a nada.
Nada. Ninguém. Amor, puro fantasma
que os passeia de leve, assim a cobra
se imprime na lembrança de seu trilho.
E eles quedam mordidos para sempre.
deixaram de existir, mas o existido
continua a doer eternamente.
(Carlos Drummond de Andrade)
Os amantes se amam cruelmente
e com se amarem tanto não se vêem.
Um se beija no outro, refletido.
Dois amantes que são? Dois inimigos.
Amantes são meninos estragados
pelo mimo de amar: e não percebem
quanto se pulverizam no enlaçar-se,
e como o que era mundo volve a nada.
Nada. Ninguém. Amor, puro fantasma
que os passeia de leve, assim a cobra
se imprime na lembrança de seu trilho.
E eles quedam mordidos para sempre.
deixaram de existir, mas o existido
continua a doer eternamente.
(Carlos Drummond de Andrade)
segunda-feira, maio 29, 2006
...
O milagre da desintegração
E coma todas essas chances patéticas de ser um sol em meio a tanto cinza de maio.
Chegou da festa e não teve uma máscara para despir; para limpar a lama, como todos lá tinham.
Nunca usara máscaras, nunca ofuscara nenhum sorriso com a sombra negra que todo ser mascarado produz.
Julgou ser amor (amizade em pétalas) as lágrimas em seus olhos: “desculpa eu não me recordava de seu rosto; deixou sua máscara no carro?” - nesse céu aberto se ironiza tudo mesmo.
Não desce a vida, ou a voz da noite para limpar essas feridas abertas, ou nem mesmo o ser maior que as lamberia como quem vê a face do pai num túmulo aberto e fecha docemente os olhos da parte morta no cosmo mundano, que é a mais viva e munida de vigor existente dentro desse ser maior (por hora menor).
Não é venial ver essas muralhas feitas com meus pedaços mais vitais ruírem sem a vênia do meu coração (palhabote fugitivo quando você precisou).
A noite esconde as eivas do meu mundo e as imperfeições do meu rosto borrado com restos de lembranças frigidas, como um escrínio vazio.
Mas eu sou como o meu gato que vê a decadência e a beleza de me sentir caída em lágrimas (três xícaras de chá e fumaça escorrendo do meu sorriso); sou como meu gato que pode saltar alto e se limita a dormir no tapete (a virtude e a desventura de possuir o dom mesmo que enfraquecido e apenas desejar a eclesiástica salvação!).
Engula a seco meu olhar de miséria, com as íris cercadas de desprezo, engula meu sangue frio que esse adeus camuflado de “ate logo” fará ocultar.
Pensando bem...Não precisa engolir, não precisa me tragar e exalar minhas cinzas...
Eu nunca vou caber em ti porque você sobra em mim!
Ah, a vida é ato breve, as lutas são tão cavas de sentido quando um suspenso corpo livre sem luta marcada nas costas nos pergunta: quando o sol for uma estrela menor e tão antiga como as outras o que será que vai nos mover (?).
Porém, é sé literatura!
Nada mais que essa regra sem legitimação, nada mais que pedaços meus depositados em linhas...
É só literatura: minha pretensão solitária.
“O mundo está acabando e ninguém vai perceber; as flores e os vasos, seus medos, meus laços em desalento... No desperdício de alma que é amar...” –sei que não é um sonho, nem poderia me acordar.
Eu e o Chico entregamos os pontos amor...
Por Amanda Cristina carvalho em vinte e oito de maio de dois mil e seis.
E coma todas essas chances patéticas de ser um sol em meio a tanto cinza de maio.
Chegou da festa e não teve uma máscara para despir; para limpar a lama, como todos lá tinham.
Nunca usara máscaras, nunca ofuscara nenhum sorriso com a sombra negra que todo ser mascarado produz.
Julgou ser amor (amizade em pétalas) as lágrimas em seus olhos: “desculpa eu não me recordava de seu rosto; deixou sua máscara no carro?” - nesse céu aberto se ironiza tudo mesmo.
Não desce a vida, ou a voz da noite para limpar essas feridas abertas, ou nem mesmo o ser maior que as lamberia como quem vê a face do pai num túmulo aberto e fecha docemente os olhos da parte morta no cosmo mundano, que é a mais viva e munida de vigor existente dentro desse ser maior (por hora menor).
Não é venial ver essas muralhas feitas com meus pedaços mais vitais ruírem sem a vênia do meu coração (palhabote fugitivo quando você precisou).
A noite esconde as eivas do meu mundo e as imperfeições do meu rosto borrado com restos de lembranças frigidas, como um escrínio vazio.
Mas eu sou como o meu gato que vê a decadência e a beleza de me sentir caída em lágrimas (três xícaras de chá e fumaça escorrendo do meu sorriso); sou como meu gato que pode saltar alto e se limita a dormir no tapete (a virtude e a desventura de possuir o dom mesmo que enfraquecido e apenas desejar a eclesiástica salvação!).
Engula a seco meu olhar de miséria, com as íris cercadas de desprezo, engula meu sangue frio que esse adeus camuflado de “ate logo” fará ocultar.
Pensando bem...Não precisa engolir, não precisa me tragar e exalar minhas cinzas...
Eu nunca vou caber em ti porque você sobra em mim!
Ah, a vida é ato breve, as lutas são tão cavas de sentido quando um suspenso corpo livre sem luta marcada nas costas nos pergunta: quando o sol for uma estrela menor e tão antiga como as outras o que será que vai nos mover (?).
Porém, é sé literatura!
Nada mais que essa regra sem legitimação, nada mais que pedaços meus depositados em linhas...
É só literatura: minha pretensão solitária.
“O mundo está acabando e ninguém vai perceber; as flores e os vasos, seus medos, meus laços em desalento... No desperdício de alma que é amar...” –sei que não é um sonho, nem poderia me acordar.
Eu e o Chico entregamos os pontos amor...
Por Amanda Cristina carvalho em vinte e oito de maio de dois mil e seis.
sábado, maio 27, 2006
.......meus finais felizes evitados
"Minha miséria tem aproveitado a companhia
e embora eu sinta dor
eu não ameaço ninguém
Às vezes eu me sinto maior do que o que eu tenho compartilhado com você
Às vezes eu me pergunto porque eu reprimo quando não sou requerida para
Eu tentei ser pequena
eu tentei ser reduzida
Eu tentei bloqueos e tudo mais
meus finais felizes evitados
Às vezes eu sinto isso é muito importante para ser verdade
Eu sabotei a mim mesma pelo medo do que minha grandeza poderia causar
Medo da felicidade e medo alegria
Medo de ser importante e consequente solidez
Eu poderia ser dourada eu poderia ser brilhante
eu poderia ser liberdade
mas isto seria entediante
Às vezes eu sinto isto é tão assustador para ser verdade
Eu sabotei a mim mesma por medo de perder você
Medo da felicidade e medo de alegria
Medo de ser importante e consequente solidez
Essa conversa de liberação me faz querer ir deitar
debaixo da coberta até que o terror do desconhecido tenha ido
Eu poderia ser completa
eu poderia ser próspera
eu poderia ser reluzente
parece isolador
Às vezes eu sinto isso é muito bom para ser verdade
Eu saboto a mim mesma por medo do que minha felicidade poderia causar.
Medo da felicidade e medo de ficar feliz
Medo de ser importante e consequente solidez"
(Alanis Morissette)
e embora eu sinta dor
eu não ameaço ninguém
Às vezes eu me sinto maior do que o que eu tenho compartilhado com você
Às vezes eu me pergunto porque eu reprimo quando não sou requerida para
Eu tentei ser pequena
eu tentei ser reduzida
Eu tentei bloqueos e tudo mais
meus finais felizes evitados
Às vezes eu sinto isso é muito importante para ser verdade
Eu sabotei a mim mesma pelo medo do que minha grandeza poderia causar
Medo da felicidade e medo alegria
Medo de ser importante e consequente solidez
Eu poderia ser dourada eu poderia ser brilhante
eu poderia ser liberdade
mas isto seria entediante
Às vezes eu sinto isto é tão assustador para ser verdade
Eu sabotei a mim mesma por medo de perder você
Medo da felicidade e medo de alegria
Medo de ser importante e consequente solidez
Essa conversa de liberação me faz querer ir deitar
debaixo da coberta até que o terror do desconhecido tenha ido
Eu poderia ser completa
eu poderia ser próspera
eu poderia ser reluzente
parece isolador
Às vezes eu sinto isso é muito bom para ser verdade
Eu saboto a mim mesma por medo do que minha felicidade poderia causar.
Medo da felicidade e medo de ficar feliz
Medo de ser importante e consequente solidez"
(Alanis Morissette)
sexta-feira, maio 26, 2006
Por favor meu ego não dê força ao prego que nos põe contra a parede...

As flores do jardim da nossa casa,
Morreram todas, de saudades de você,
E as rosas que cobriam nossa estrada,
Perderam a vontade de viver,
Eu já não posso mais,
Olhar nosso jardim,
Lá não existem flores,
Tudo morreu pra mim,
As coisas, que eram nossas se acabaram,
Tristeza e solidão, é o que restou,
As luzes das estrelas se apagaram,
E o inverno da saudade, começou,
As nuvens brancas, escureceram,
E o nosso céu azul, se transformou,
O vento, carregou todas as flores,
E em nós, a tempestade, desabou!
Mas não faz mal, depois que a chuva cair,
Outro jardim,
um dia há de reflorir!
(Roberto Carlos e Erasmo Carlos)
terça-feira, maio 23, 2006
Noite de um único verso
(ao doce menininho)
Você destrói o mundo com poesia, eu compro o mundo com compaixão.
Você revive tudo aquilo que eu feneço com um sorriso cru, irritante (o raspar das unhas nos vidros).
As luzes que nos tocam sem dor; sem bolinar nossos olhos, anunciam que nos encontramos e que toda a miséria eterna do mundo não vai nos humilhar quando você o punir com sua poesia e eu recolher seus versos -extasiados de glória- com a minha compaixão.
Agonia da força na extremidade do seu olhar no meu, pra todo arco-íris que nascer na sua ausência.
Rompi o hímen da minha alma e te desenhei na minha falta de pudor ao te encontrar e sorrir.
Nunca pensei em me encontrar numa desordem de sentir, espera essa chuva molhar meu passado e me cala com sua língua no meu pescoço –pulsando quente tanto quanto minhas artérias que até então eram frias e inertes-.
Por Amanda Cristina Carvalho22/4/06.
Você destrói o mundo com poesia, eu compro o mundo com compaixão.
Você revive tudo aquilo que eu feneço com um sorriso cru, irritante (o raspar das unhas nos vidros).
As luzes que nos tocam sem dor; sem bolinar nossos olhos, anunciam que nos encontramos e que toda a miséria eterna do mundo não vai nos humilhar quando você o punir com sua poesia e eu recolher seus versos -extasiados de glória- com a minha compaixão.
Agonia da força na extremidade do seu olhar no meu, pra todo arco-íris que nascer na sua ausência.
Rompi o hímen da minha alma e te desenhei na minha falta de pudor ao te encontrar e sorrir.
Nunca pensei em me encontrar numa desordem de sentir, espera essa chuva molhar meu passado e me cala com sua língua no meu pescoço –pulsando quente tanto quanto minhas artérias que até então eram frias e inertes-.
Por Amanda Cristina Carvalho22/4/06.
sexta-feira, maio 12, 2006
Conto de fodas
Se você deseja mesmo ir vá...Seus passos tão simples e a sua presença chegando em passos lentos; derramados na minha memória e na minha solidão eventual.
Conte tudo o que houve em letras grandes aos deuses antes de adormecer; e eu sei que também é vida o que ousar cair de meus olhos numa futura manhã.
Fadas e encontros de almas só acontecem quando os olhos se fecham e você não deseja que seu desejo se realize, mas que o seu destino deixe de ser uma profecia blasfemada e se torne o instante, o agora que não é que você sonhou, mas o que você precisava e não sabia.
Durma em paz; não na paz do meu amor que não existe, mas na paz de estar deixando meu reino; mesmo que a primavera tardia esteja em vigor.Meu jardim floresce, minha fonte seca e as luzes acendem, me encontrando num trono vazio e com o sorriso mais verdadeiro desse lado do planeta.
Vá em paz, mesmo que ela seja falsa, esqueça os dragões que você teve que enfrentar para estar comigo.A maldição foi desfeita; agora são todos borboletas, eu voltei a ser um sapo e não adianta mais me beijar.
Por Amanda Cristina Carvalho em maio de 2006.
Conte tudo o que houve em letras grandes aos deuses antes de adormecer; e eu sei que também é vida o que ousar cair de meus olhos numa futura manhã.
Fadas e encontros de almas só acontecem quando os olhos se fecham e você não deseja que seu desejo se realize, mas que o seu destino deixe de ser uma profecia blasfemada e se torne o instante, o agora que não é que você sonhou, mas o que você precisava e não sabia.
Durma em paz; não na paz do meu amor que não existe, mas na paz de estar deixando meu reino; mesmo que a primavera tardia esteja em vigor.Meu jardim floresce, minha fonte seca e as luzes acendem, me encontrando num trono vazio e com o sorriso mais verdadeiro desse lado do planeta.
Vá em paz, mesmo que ela seja falsa, esqueça os dragões que você teve que enfrentar para estar comigo.A maldição foi desfeita; agora são todos borboletas, eu voltei a ser um sapo e não adianta mais me beijar.
Por Amanda Cristina Carvalho em maio de 2006.
quinta-feira, maio 11, 2006
como diz essa forma geométrica chamada palavra...
(...)
Não queria acumular você em meus braços, mas não me acomodo quando penso que você está apenas de passagem; quero uma lembrança que ainda não tenho, daquela música, daquela opinião, e acumulo tudo isso em uma mesma memória.
(...)
Não queria acumular você em meus braços, mas não me acomodo quando penso que você está apenas de passagem; quero uma lembrança que ainda não tenho, daquela música, daquela opinião, e acumulo tudo isso em uma mesma memória.
(...)
terça-feira, maio 09, 2006
poema de e-cummings
this little huge
-eyed per-
son(nea
-rly burs-
ting with the
in
-expressib-
le
num
-berlessn-
ess of her
selves)can't
u
-nderstan-
d my o
-nl-
y me
esta criancinha de
-olhos esbugal-
hados(qua
-se explod-
indo com a
in
-exprimív-
el
in
-umerosid-
ade de seus
euses) não pode
c
-ompreend-
er meu a
-pena-
s mim
trad. Carlos Loria
in revista Dimensão nº 28/29, 1999, p. 187.
-eyed per-
son(nea
-rly burs-
ting with the
in
-expressib-
le
num
-berlessn-
ess of her
selves)can't
u
-nderstan-
d my o
-nl-
y me
esta criancinha de
-olhos esbugal-
hados(qua
-se explod-
indo com a
in
-exprimív-
el
in
-umerosid-
ade de seus
euses) não pode
c
-ompreend-
er meu a
-pena-
s mim
trad. Carlos Loria
in revista Dimensão nº 28/29, 1999, p. 187.
segunda-feira, maio 08, 2006
Feliz Aniversário Veridiana...

O fruto da lascívia da borboleta que não morreu (dessa vez) em vinte e quatro horas
Eu invento a minha própria pílula,
ela não corrói meu estômago,
e nem trás náuseas aos meus protestos de voltar a pensar.
Minha pílula você não consome com todos esses vermes no olhar,
com essa mão fechada,
esse punho tardando o tapa,
e me cuspindo demente indignação.
A alma é livre,
e o corpo que rola e esfola a moral de velhos movimentos também ,
é tudo a escolha, a folha e a bolha
que salta dos meus olhos: bolinando tudo com inocência,
e roubando sem pudor qualquer coisa de você.
Eu invento a minha própria poesia,
a luz que acorda a chama antiga em versos,
eu faço e vendo minhas palavras,
e alegoria dispensável não é a confiança;
silêncio de noites que não rimam.
Eu invento a meu próprio show,
não preciso de talco, palco, de iluminação; chamas frias,
eu faço meu roteiro e minha fala nunca vai ser o que você quer ouvir.
A minha vida eu mesma invento,
reinvento você no intervalo em que eu não souber mais o que inventar,
supro, nutro seus passos que te levam daqui,
meu sorriso é a nave, a chave;
a clave de sol aberto,vivo no nosso jardim.
Meu contorno nas suas palavras;
isso eu não invento,
vento e chovo em você,
passo, largo, escapo por seus dedos;
e tento perceber pra onde esse vão me leva.
E se eu sustento o vôo desse pássaro que tem asa no seu sorriso,
é porque eu nunca vou me encontrar numa sexta feira,
nunca vou deixar a fumaça e essa garoa só por te animar,
e se você não me conhece,
é melhor nem tentar me roubar...
Sou a carta marcada,
a invenção de quem em vida só fez inventar,
vou sempre reinventar curas e fontes da juventude
pra toda lágrima que vadia do meu rosto rolar.
Se a gente não for a própria poesia;
não adianta mesmo tentar inventar,
o amor, a cor do medo,
tudo isso só vinga se você souber olhar,
eu olho e te vejo;
a esfinge é estrangeira,
mas eu entendo a fagulha semi-viva;
é seu medo de não conseguir me reinventar!
Por Amanda Cristina Carvalho em 7 de maio de 2006.
sexta-feira, maio 05, 2006
lamúrias...

"Agora eu durmo tarde
E acordo tarde
E as tardes são assim
Pra mim manhãs
Que passam em velocidade
E ardem como o sol
Que arde
A madrugada inteira
Eu abro os olhos
Eu olho as horas
Eu molho os óculos
E ainda é agora
Eu cato conchas na geladeira
Eu conto estrelas
Depois que o dia nasce
Será tarde?"
(Adriana Calcanhotto)
Já se sentiu como um peixe que acaba de ser pescado?
Os olhos do pescador te engolindo, vendo que tipo de peixe você é, que tipo de lucro você dá...
Odeio essa coisa de ser analisada, de ter que mostrar quem eu sou, mesmo que valha algo em troca.
Eu não sou mais que o que imaginaram pra mim, eu sou bem menos que o que quis ser, mas sou e isso nunca me basta.
Penso em versos e acordos em dó menor.
Queria gostar dela e esquecer o medo, mas eu nunca sei o que estou tentando dizer que quero, quando na verdade, o que mais queria é que tudo que eu quis fosse um desejo dela também.
Mas nunca vai ser mais que um desejo meu, que por vezes se faz tão surreal e patético que eu o esqueço em qualquer canto pra fingir que não é mais meu.
E ainda tem os patos, as estradas e as pestes das crianças que insistem em fazer barulho na rua, como se toda aquela alegria que exalam tivesse passagem livre pela minha janela.
Não reparem esse mau humor de recém desempregado que não encontra emprego em canto algum.
Não reparem nessa frustração pós ensino médio de quem não passou no vestibular e ainda não foi mais do que o que esperavam.
Não reparem nessa má literatura que nada diz e nada muda, é apenas mais um dia pra quem acorda e não encontra o que deixou no lugar de sempre e que nunca está lá quando se procura!
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