Um delírio de fim de noite em forma de samba-canção,
a saudade sim é uma arma quente
um tiro na penumbra,
uma manhã de rock’n’roll baixinho no meu colchão.
Pra cada amor que se perde mais silêncio,
fui eu que parti,
mas quem quebrou nosso espelho foi você.
Das alturas se vê até o que não se quer,
desse lado do planeta a solidão engarrafada sem mar pra
levar,
coisas não ditas em versos malditos de adeus.
E pra cada dia que não te vejo faço um risco nas minhas
coxas,
testemunhas coagidas de suas mãos,
hoje eu sei que nunca mais vou sentir seus verbos insolentes
na minha orelha fria,
sei que os traços do seu rosto nunca pedem perdão.
Quimera de dezembro que não engana mais ninguém,
é medo da verdade,
é sonho sem respiração.
