quinta-feira, maio 10, 2007

Atraso ( no dia que a nossa ampulheta atrasou)

Era tarde,
Era tarde!

A unha ruída, lascada e suja do tempo arranhou o mais altivo dos veludos,
e era tarde.
Sim, meu amor é tarde.

E vai envelhecendo nossa paz,
já não precisas de mim para me amar,
é tarde, é tarde pra dizeres que me ama,
(porém, você me ama! e todos aqueles bêbados do bar sabiam disso por mim)


E eu tardo
você tarda,
só nosso amor não tarda.
Nosso amor se tarda morre como uma ampulheta quebrada,
num dia em que uma ampulheta atrasar.
Era tarde.
Era tarde.

E até nosso abraço te atrasa,
atrasa sua vida nova,
vida nova amor,
vida que não tarda,
mas que ainda vai comer seus ponteiros pra que não notes que estas de novo atrasada.
Mas calo-me como o relógio daquele bar,
Eu sim tardei.
Era tarde.
Era tarde.


A verdade é que a vida atrasa,
quando quem sente não sabe como sentir...
e atrasa!
( e se acaba)
E nunca mais se acha na correria dum atraso.

Até o dia em que o desejo perde a pose,
(é tarde, é tarde)
e a lembrança é que tarda em nos deixar ser nós mesmos...
E das mãos fica a lembrança dum longo abraço,
dum cigarro amassado,
dum amor que não cabe mais num desconforto dum atraso.


Amanda Cristina Carvalho
(numa manhã fria de maio)

4 comentários:

Mariana disse...

uau!

jooo disse...

as manhãs de maio sempre são frias aqui tbm.
o atraso.. ai o atraso.
estamos sempre atrasadas, minha cara.

Cris disse...

querida
texto! que bom que está escrevendo e eu vejo sempre a sua evolução, a cada vírgula!
Muito bom, como sempre.
Beijos cheios de amor

Lu Arrais disse...

Q bonitoooo!!! *.*
Essas manhãs frias viu...ai, ai!
Besos