quarta-feira, março 29, 2006

Imediatismo?

Imediatismo anárquico

Cuspia citações numa folha branca,
“prefiro o céu morto e as palavras abortadas”,
é só silencio o que pode por aqui crescer.
Vi pelas vidraças trincadas:
“existência futurista”,
daquele futuro que já passou.
Canções não aliviarão o medo no porão escuro que abriga os filhos da revolução,
a própria revolução não os salvará do hermético socialismo que inventaram,
“eu não tenho medo da morte”,
um sorriso não cura a dor!
Todo esse sangue derramado,
toda essa sujeira por trás da contradição: imediatismo anárquico,
daquelas perguntas que nunca me fiz.
A revolução agora é uma face fria,
uma fratura exposta: o olhar embriagado do que não se permitiu ver,
do que nunca será mais que um poema;
alegoria para mentiras,
contendo o choro;
perto daqui,
por trás daquela porta....
A.M.10/12/05

2 comentários:

Lucas disse...

Perfect como sempre! Você tem o completo domínio da arte da escrita. Parabéns.

Cris disse...

é, Amanda na versão impressão!
Amo seus textos, tanto quanto vcs!
Beijos