sábado, setembro 22, 2007

O início do fim...



Meus limites expostos em tudo que eu amo; minha poesia me dizendo adeus em cada mão que abandona as minhas...
Eu só queria uma forma de acabar com essa farsa toda. Parar de dissimular esse vazio; parar de sentir isso de outra forma... A grande verdade da minha estúpida existência é que eu não sei fazer nada vingar... Eu não sei fazer essa engrenagem, que já surgiu enferrujada, funcionar.
Uma vida totalmente sem sentido. Eu não estou caminhando nem da forma que queriam que eu caminhasse; e estou muito distante de caminhar da forma que eu queria.
Na verdade, eu sei que eu não estou mesmo indo para lugar algum.
E que eu nem sei se existe esse lugar onde eu queria estar.
Eu não tenho concentração para ler o que eu deveria ler e nem se há ainda algo mais no que eu estudo que eu deva aprender.
As coisas na sua essência primitiva não precisam ser melhoradas, porquê, algo me diz que depois apenas se pode distorcer as coisas já apreendidas; que já eram tão completas; e que também, eu sei, nunca pediram para serem modificadas.
Assim funciona a infância... Nenhuma criança precisa ser melhorada.
Todas as crianças já sabem o que é preciso saber para viver uma vida inteira!
SE o mundo fosse feito somente de crianças tudo seria mais bonito, e talvez pudéssemos admitir a existência de alguma perfeição.
De repente eu descobri que a perfeição está no que há de inicial; está na primeira impressão de tudo. Porquê na primeira impressão não há engano.
Numa primeira impressão há dezenove anos atrás minha acreditou, vivenciou o que há de mais belo em mim, e aquilo sim, era completo, porque lá, ao nascer: eu sou eu.
Lá só importava os olhos dela e aquele ser nascido -repleto de chances- que era eu. E lá estava a matéria-prima do amor dela por mim. Porque amor é a possibilidade de perfeição mais veemente.
E essa perfeição não deveria enfraquecer-se aos poucos. Pois dessa forma o amor (semente no brotar do seu primeiro galhinho) não iria morrer assim em fases... Não iria se perder da impressão inicial que era pura, que era verdadeira... Porque não há estrago que o mundo faça que acabe com uma percepção guardada por mil dragões.
A tragédia disso tudo é a perda da vitalidade dos dragões, que –estes sim- não estão imunes ao nosso descaso ao amor; não estão a salvo da nossa arrogância e estupidez de apenas conseguir ver o que está bem diante de nós...

Amanda Cristina Carvalho

5 comentários:

Cadeira. disse...

Porquê na primeira impressão não há engano.

Putaqueopariu.
Coragem pra enfrentar esse tipo de verdade.

Texto bom. Senti saudades de alguma coisa com ele.

Volto.

Carlos Howes disse...

"Na verdade, eu sei que eu não estou mesmo indo para lugar algum.
E que eu nem sei se existe esse lugar onde eu queria estar.
Eu não tenho concentração para ler o que eu deveria ler e nem se há ainda algo mais no que eu estudo que eu deva aprender."

Algo neste trecho me parece bem familiar.

Texto doloroso, mas bem real. Feito dos bons textos.

Carlos Howes disse...

E sim, se em algum momento estivemos perto do estado da perfeição mental, este momento com certeza foi a infância.

Lênon Kramer disse...

belo, porém discordável.

não creio na perfeição nem na verdade. nem mesmo na infância, nem na primeira impressão. o engano está sempre presente, pelo simples motivo de que os olhos não são perfeitos, eles sempre captam apenas parte. eles sempre distorcem. mesmo na inexistência da grade de paradigmas, ele sempre tenta criar uma.

a distorção é o principio básico da visão.

^^

"a distorção é o princípio". soou legal isso.

:-}

beijos

Luciano Salem disse...

"O Senhor das Moscas" - se o que você gostaria é um mundo perfeito, erigido por crianças.