segunda-feira, maio 08, 2006

Feliz Aniversário Veridiana...


O fruto da lascívia da borboleta que não morreu (dessa vez) em vinte e quatro horas

Eu invento a minha própria pílula,
ela não corrói meu estômago,
e nem trás náuseas aos meus protestos de voltar a pensar.
Minha pílula você não consome com todos esses vermes no olhar,
com essa mão fechada,
esse punho tardando o tapa,
e me cuspindo demente indignação.
A alma é livre,
e o corpo que rola e esfola a moral de velhos movimentos também ,
é tudo a escolha, a folha e a bolha
que salta dos meus olhos: bolinando tudo com inocência,
e roubando sem pudor qualquer coisa de você.
Eu invento a minha própria poesia,
a luz que acorda a chama antiga em versos,
eu faço e vendo minhas palavras,
e alegoria dispensável não é a confiança;
silêncio de noites que não rimam.
Eu invento a meu próprio show,
não preciso de talco, palco, de iluminação; chamas frias,
eu faço meu roteiro e minha fala nunca vai ser o que você quer ouvir.
A minha vida eu mesma invento,
reinvento você no intervalo em que eu não souber mais o que inventar,
supro, nutro seus passos que te levam daqui,
meu sorriso é a nave, a chave;
a clave de sol aberto,vivo no nosso jardim.
Meu contorno nas suas palavras;
isso eu não invento,
vento e chovo em você,
passo, largo, escapo por seus dedos;
e tento perceber pra onde esse vão me leva.
E se eu sustento o vôo desse pássaro que tem asa no seu sorriso,
é porque eu nunca vou me encontrar numa sexta feira,
nunca vou deixar a fumaça e essa garoa só por te animar,
e se você não me conhece,
é melhor nem tentar me roubar...
Sou a carta marcada,
a invenção de quem em vida só fez inventar,
vou sempre reinventar curas e fontes da juventude
pra toda lágrima que vadia do meu rosto rolar.
Se a gente não for a própria poesia;
não adianta mesmo tentar inventar,
o amor, a cor do medo,
tudo isso só vinga se você souber olhar,
eu olho e te vejo;
a esfinge é estrangeira,
mas eu entendo a fagulha semi-viva;
é seu medo de não conseguir me reinventar!
Por Amanda Cristina Carvalho em 7 de maio de 2006.

Um comentário:

Luís Fernando disse...

Buenas.
Amanda, gostei do poema. Se bem que já o tinha lido (acho eu) em primeira mão. =)
Visite meu blogue. Tem um texto sobre um filme, o qual você deve assistir com urgência.
Se cuida.
29 beijos.