sexta-feira, maio 05, 2006

lamúrias...


"Agora eu durmo tarde
E acordo tarde
E as tardes são assim
Pra mim manhãs
Que passam em velocidade
E ardem como o sol
Que arde
A madrugada inteira
Eu abro os olhos
Eu olho as horas
Eu molho os óculos
E ainda é agora
Eu cato conchas na geladeira
Eu conto estrelas
Depois que o dia nasce
Será tarde?"
(Adriana Calcanhotto)

Já se sentiu como um peixe que acaba de ser pescado?
Os olhos do pescador te engolindo, vendo que tipo de peixe você é, que tipo de lucro você dá...
Odeio essa coisa de ser analisada, de ter que mostrar quem eu sou, mesmo que valha algo em troca.
Eu não sou mais que o que imaginaram pra mim, eu sou bem menos que o que quis ser, mas sou e isso nunca me basta.
Penso em versos e acordos em dó menor.
Queria gostar dela e esquecer o medo, mas eu nunca sei o que estou tentando dizer que quero, quando na verdade, o que mais queria é que tudo que eu quis fosse um desejo dela também.
Mas nunca vai ser mais que um desejo meu, que por vezes se faz tão surreal e patético que eu o esqueço em qualquer canto pra fingir que não é mais meu.
E ainda tem os patos, as estradas e as pestes das crianças que insistem em fazer barulho na rua, como se toda aquela alegria que exalam tivesse passagem livre pela minha janela.
Não reparem esse mau humor de recém desempregado que não encontra emprego em canto algum.
Não reparem nessa frustração pós ensino médio de quem não passou no vestibular e ainda não foi mais do que o que esperavam.
Não reparem nessa má literatura que nada diz e nada muda, é apenas mais um dia pra quem acorda e não encontra o que deixou no lugar de sempre e que nunca está lá quando se procura!

Um comentário:

Luís Fernando disse...

Buenas.
Amanda, tu é profunda demais. =)
Vai no meu blogue e visite o bar que recomendei ali. Quem sabe, um dia, a gente se encontra lá para bater um papo sobre livros, discos e outros bichos.
Se cuida. Bom final-de-semana.
29 beijos.