terça-feira, agosto 01, 2006

depois das cinco...




"Da primeira vez..."
Mário Quintana

Da vez primeira em que me assassinaram
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha...
Depois, a cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha...

Hoje, dos meus cadáveres eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada...
Arde um toco de vela amarelada...
Como único bem que me ficou!

Vinde, corvos, chacais, ladrões da estrada!
Pois dessa mão avaramente adunca,
Não haverão de arrancar a luz sagrada!

Aves da Noite! Asas do Horror! Voejai!
Que a luz, trêmula e triste como um ai,
A luz de um morto não se apaga nunca!

Um comentário:

Luís Fernando disse...

Buenas.
Amanda, o Quintana é um dos meus poetas favoritos.
Tu acertou na mosca. De novo. Um texto na medida certa.
Se cuida. =)
29 beijos.